A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 17/12/2020
Iniciador da vanguarda Futurista, Marinetti enaltecia, em suas obras, “os tubos grossos, serpentes explosivas e motores metralhantes” da Segunda Revolução Industrial. Nesse cenário, ficava evidente uma visão de mundo que valorizava a destruição ambiental, confundindo-a com o progresso. No entanto, a atualidade comporta uma percepção oposta: a de que o avanço humano depende da conservação da natureza; visão essa que ainda não foi incorporada pelo Brasil, o que precisa ser mudado pelo Estado, uma vez que acarreta prejuízos.
Primeiramente, constata-se a suplantação da primeira visão pela segunda. Isso fica evidente na obra do geógrafo Milton Santos, que conceitua “Velha” e “Nova” Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Para ele, a primeira -, que, como Marinetti, defendia o enriquecimento nacional via ampliação irrestrita da atividade industrial - só foi vigente até o início do século XX, quando os produtos industriais perderam valor agregado. Nesse momento (Nova DIT), as empresas passaram a migrar para os países pobres, levando os danos ambientais para longe das potências desenvolvidas.
Desse modo, é duplamente deletéria a escolha brasileira pelo conservadorismo ambiental. Isso porque uma visão - como a do ministro Ricardo Sales, que defende “passar a boiada na Amazônia” - que se recusa a mudar de DIT, acaba inserindo o Brasil na Nova DIT, mas como “país pobre”. Assim, fica designado ao país um papel de extrator, que, além de danificar o meio-ambiente com queimadas, agrotóxicos e rejeitos minerais, abre mão de vultuosos ganhos futuros como potência, em prol do dinheiro imediato obtido pela venda da natureza nacional.
Portanto, é fundamental que o Estado se mobilize de modo a criar consciência ambiental. Isso deve ser feito pelo Ministério do Meio Ambiente, que, valendo-se de sua fatia do repasse federal, contratará novos fiscais do Ibama, de modo a multar mais eficientemente os infratores ambientais, coibindo ações de degradação. Os fundos obtidos com as multas serão, então, direcionados aos programas conservacionistas, como o Projeto Tamar, garantindo a valorização das serpentes de verdade, em detrimento das “serpentes explosivas”.