A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 20/12/2020
Em 1972, a Conferência de Estocolmo reuniu as principais potências da ONU em prol da discussão acerca do impacto humano na natureza. Tal episódio foi um marco para o crescimento do movimento sustentável mundial. Todavia, mesmo após quase cinquenta anos desse evento, o ser humano ainda se mostra negligente para com a preservação dos ecossistemas. Isso porque a fiscalização ineficiente das grandes corporações poluidoras e o planejamento insustentável das cidades são reflexo de uma consciência ambiental pouco manifestada em território brasileiro.
A fiscalização ineficiente de grandes empreendimentos ambientais prejudica tanto o ser humano quanto a natureza. Nessa perspectiva, o Brasil vivenciou não somente um, mas dois desastres ambientais ocasionados pelo descompromisso das grandes empresas para com as suas obrigações ambientais: o rompimento das barragens de Mariana e de Brumadinho. Tais episódios trouxeram consequências negativas para a fauna e a flora das regiões afetadas, como a destruição de habitats e a contaminação dos solos e das águas. Ademais, centenas de pessoas perderam seus lares e suas vidas. Assim, enquanto empresas com grande poder de ação sobre o espaço geográfico forem pouco fiscalizadas, tragédias continuarão acontecendo.
Além disso, a necessidade de industrialização e de urbanização aceleradas afetaram negativamente a natureza. Nesse sentido, o Milagre Econômico brasileiro foi um nítido exemplo do crescimento intransigente, que sacrificou recursos naturais em prol de destaque no cenário competitivo internacional. Isso porque houve o desmatamento desimpedido e a exploração exacerbada dos ecossistemas. Da mesma forma, segundo o geógrafo Eustáquio de Sene, a urbanização desordenada (sobretudo com a construção de cidades e rodovias) foi responsável pela redução da Mata Atlântica a apenas 7% de sua cobertura original. Desse modo, a perspectiva de crescimento ilimitado num mundo de recursos escassos poderá provocar o colapso da dinâmica ambiental.
Portanto, são necessários um planejamento urbano que minimize os danos do crescimento desordenado e uma fiscalização eficaz das grandes corporações. Nessa perspectiva, o Ministério do Meio Ambiente deverá ampliar o monitoramento espacial do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre porções de florestas, barragens e indústrias. Isso a fim de identificar e multar entidades irregulares. Ademais, as prefeituras dos municípios deverão organizar planos de revitalização do espaço citadino. Isso por meio do plantio de árvores pela população dos bairros e da limpeza de rios por estações de tratamento de efluentes, a fim de prover recursos para a biodiversidade local. Destarte, a discussão iniciada na Suécia em 1972 estará mais próxima de fixar a consciência ambiental.