A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 18/12/2020
No conto infantil “O Lorax”, Dr. Seuss desenvolve uma ficção na qual um ser fantástico da floresta tem a responasbilidade de protegê-la contra sua destruição. Ao longo da história, contudo, o desrespeito com a natureza por parte dos humanos causou consequências cada vez mais dramáticas para o meio ambiente, levando a um desastre natural na comunidade e a restrição ao acesso de elementos básicos para sobrevivência, como o ar. Para além da ficção, as consequências da falta da consciência ambiental no Brasil se fazem cada vez mais reais, fenômeno gerado em grande nível por conta da crise das narrativas e da educação bancária.
Em primeiro lugar, é necessário entender o fenômeno da crise das narrativas. De acordo com o filósofo francês François Lyotard, a época pós-moderna que vivemos atualmente é marcada pela crise das narrativas que fundamentavam o século XX. Ou seja, narrativas como a liberal, marxista, religiosa e até científica não tem mais o peso que outrora tiveram, não sendo credibilizadas ou “levadas a sério”. No lugar das mesmas, restou uma desconfiança e negacionismo quanto aos fatos mais basilares. Assim o sendo, movimentos que buscam mobilizar a comunidade para uma conscientização ambiental se tornam inertes face a essa lógica.
Para além disso, é preciso perceber o modelo educacional brasileiro como uma “educação bancária”. De acordo com pedagogo Paulo Freire, o sistema de educação no Brasil consiste em uma espécie de “educação bancária”, na qual o professor trata o aluno como um “banco”, onde o conhecimento é simplesmente “depositado” nos alunos, sem qualquer senso crítico ou participação dos estudantes no processor de aprendizagem, sendo os mesmos sujeitos passivos na relação, que vão simplesmente receber o depósito e compreênde-lo como fato. Logo, a criticidade necessária para questionar a problemática ambientalista é relevada no contexto brasileiro.
Portanto, para combater a falta de consciência ambiental no Brasil, dá-se como imperativo um projeto do Ministério da Educação de combater o negacionismo científico através de uma transformação do método de ensino para um ensino freiriano, sendo o mesmo mais crítico e capaz de trabalhar com a realidade dos alunos e relacionar-se com ela, inserindo o conhecimento dentro das vivências cotidianas dos estudantes e permitindo-os uma melhor compreensão dos conteúdos. Tal transformação pode ser promovida através de cursos de formação para professores de todas as áreas, trabalhando em conjunto com as Secretarias municipais de educação. Tal proposta também resolveria a realidade da “educação bancária” no Brasil. E assim, podemos imagianar um futuro mais consciente dos problemas da sociedade, e o desastre natural apresentado em Lorax permanecer só na ficção.