A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 16/12/2020

A filósofa e escritora contemporânea Hannah Arendt explora a dicotomia entre dois conceitos criados por ela: o “mal banal” e o “mal racional”, sendo o primeiro um ato que é consolidado sem que haja uma consciência pré-existente, enquanto o segundo configura uma atitude proposital. Essa antítese trazida pela estudiosa em muito contribui para o entendimento da falta de consciência ambiental em questão no Brasil, visto que essa está intimamente ligada à desinformação da população brasileira que se insere no mundo digital - o “mal banal” -, bem como ao projeto governamental de negacionismo que, por visar a exploração lucrativa por meio do desmatamento florestal, configura o “mal racional”.

Em primeiro plano, é evidente que a falta de consciência ambiental em questão no Brasil muito tem a ver com a desinformação gerada pelo contexto digital em que a população brasileira se insere. Isso porque, apesar da Constituição Federal de 1988 prever o direito de acesso à informação para todos os cidadãos, percebe-se, na internet atual, a constante divulgação de “fake news”, isto é, de notícias falsas - especialmente no que diz respeito ao meio ambiente. Diante disso, o povo brasileiro é cercado de informações que, além de prestarem um desserviço às questões ambientais vigentes, constroem no imaginário popular uma visão deturpada quanto à necessidade de preservação dos biomas nacionais - e, para além disso, tolhem a população do exercício pleno daquele direito previsto pela Constituição.

Em segundo plano, é importante destacar que a falta de consciência ambiental no país está ligada, ainda, a um projeto ideológico governamental que, visando o lucro através da exploração do meio ambiente, potencializa a desinformação acerca dessas questões. Segundo o Greenpeace (ONG ambientalista), o Brasil - que já foi líder mundial de combate ao desmatamento no passado -, lidera, hoje, o ranking de países que mais desmatam as suas florestas. Isso prova que há um descuido imenso por parte das autoridades do governo no que diz respeito às coberturas vegetais, que, somado aos discursos negacionistas proferidos pelo presidente e às “fake news”, aliena a população e confere força para que a exploração lucrativa de biomas nacionais se mantenha livre de quaisquer intervenções.

Portanto, a falta de consciência ambiental em questão no Brasil - ligada à desinformação gerada por “fake news”, bem como ao projeto ideológico de exploração ambiental do governo -, configura uma pauta de extrema importância, que deve ser amplamente difundida. Para tanto, é necessário que a opinião pública aprofunde seus conhecimentos em relação à importância da preservação do meio ambiente, por meio de pesquisas em fontes que tragam informações respaldadas pela ciência e da criação de “fórums” de discussão, objetivando a consolidação de um sistema de resistência que independa de ações governamentais e combatendo, assim, os “males” preconizados por Arendt.