A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 16/12/2020
Em sua obra “Utopia”, Thomas More discorre sobre uma sociedade ideal e os meios para alcançá-la, dentre eles, a preocupação com a preservação ambiental. Decerto, o texto do filósofo inglês vai de encontro à contemporaneidade brasileira, em que a falta de consciência ambiental advinda de um pensamento “anti-iluminista” e capitalista causa consequências graves para o futuro de toda a humanidade.
Em primeira análise, pontua-se sobre a tendência contemporânea de sobrepujar dados e visões científicas. No documentário “Marte”, da “Netflix”, que conta com a participação de uma equipe de cientistas que trabalham no ártico, o líder do grupo explica sobre como as informações científicas que contrariem a vontade popular são pouco aceitas, referindo-se ao caso do aquecimento global e dos céticos acerca do assunto. Esse postulado pode ser aplicado no Brasil quando, em 2019, o presidente Bolsonaro alegou manipulações de dados do INPE — que comprovavam o desmatamento crescente na Amazônia legal — dificultando a democratização dessa informação e a luta pela conservação da floresta latifoliada. Dessa maneira, evidencia-se um pensamento “anti-iluminista”, isto é, pouco racional, que prefere negar a questão ambiental a todo custo, ao invés de aceitar dados pouco animadores.
Como causa dessa “ignorância programada”, o planeta Terra sofre cada vez mais com complicações climáticas e ambientais que demorarão a ser resolvidas. A obra “Ninguém é pequeno demais para fazer a diferença”, de Greta Thunberg — militante do clima que performa greves todas as sextas-feiras — explicita algumas das consequências advindas da questão ambiental caso as mudanças comportamentais não sejam imediatas. Segundo o Acordo de Paris de 2015, caso a temperatura média do planeta avance em 2°C, catástrofes serão inevitáveis. Mesmo assim, não é preciso avançar muito para perceber os malefícios: as queimadas de 2019 ocasionaram “dias negros” em várias cidades do país, fruto da fumaça que avançou Brasil adentro. Portanto, fica claro que desacreditar na ciência ambiental resulta em problemáticas evitáveis, desde que medidas sejam tomadas com urgência.
Em suma, observa-se uma sociedade que desacredita da ciência e que, portanto, não combate ativamente as consequências que estão por vir. Assim, o Ministério do meio ambiente, órgão responsável pelo cuidado e organização da fauna e flora do país, deve incentivar o acesso à informação de qualidade, por meio de palestras e debates periódicos sobre os perigos da questão ambiental que conscientizem a população. Só assim, a realidade de More transporá as páginas e se tornará a realidade do Brasil.