A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 15/12/2020
Chico Mendes foi um seringueiro brasileiro que ficou conhecido mundialmente por defender a preservação da floresta Amazônica. Seu ativismo era baseado na ideia de que a manutenção da floresta garantiria maiores benefícios aos seres humanos do que a sua devastação. Contudo, apesar da importância de se preservar os biomas nacionais, valores propagados pelo ativista, a sociedade brasileira, em geral, ainda se mantém alheia às questões ambientais, resultado de uma educação escolar deficiente e da opção governamental por políticas públicas que priorizam o lucro imediato.
Sob esse viés, em primeiro lugar, deve-se destacar o papel da educação básica na criação da consciência ambiental dos cidadãos. Nesse sentido, a Constituição Federal, em seu atigo 225, dispõe que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é direito de todos e dever da coletividade, bem como do Poder Público. Dessa forma, a instituição escolar é essencial para a apresentação da prática ecológica aos estudantes, uma vez que é por meio da matriz curricular das ciências da natureza que eles aprendem sobre os efeitos devastadores das ações antropogênicas no meio ambiente. Entretanto, esse ensino falha ao priorizar o aprendizado teórico, baseado em conceitos e nomenclaturas, ao invés de promover a conexão dos alunos com o espaço geográfico que habitam, com ênfase na responsabilidade social de preservação da natureza.
Ademais, a conscientização ambiental é dificultada pela adoção de políticas governamentais sem compromisso com a sustentabilidade. Essa atuação contraria o dever constitucional de preservação ambiental e vai de encontro à teoria criada por Chico Mendes, pois na busca por lucro imediato, as florestas brasileiras são devastadas, gerando prejuízos econômicos, sociais e ambientais irreparáveis. Nessa conjuntura, verifica-se a expansão predatória das fronteiras agrícolas sobre áreas do Cerrado e da Amazônia, com suporte da desestruturação administrativa das políticas ambientais, realizadas para atender aos setores econômicos, principalmente, aos grandes proprietários rurais. Assim, os atuais exemplos governamentais desestimulam o desenvolvimento de uma consciência ambiental.
Registra-se, portanto, que para combater o alheamento social para as causas ambientais é necessário investir na educação ecológica. Isso deve ser feito pelo Ministério da Educação, a partir da inclusão do ensino de ecologia na Base Nacional Comum Curricular desde os primeiros anos escolares, para que os conhecimentos teóricos e práticos sejam aliados, a fim de desenvolver nos estudantes o senso de responsabilidade para com a natureza. Além disso, a mídia deve enaltecer o papel de instituições na luta pela preservação ambiental, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), com o intuito de tornar pública a relevância dessa autarquia.