A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 09/11/2020

No livro O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de  Lima Barreto, o personagem principal sofre de um nacionalismo patológico que o faz propor o abandono do Português como língua nacional oficial, e em seu lugar seja adotado o Tupi, porque, segundo ele, essa era a língua falada pelos verdadeiros brasileiros. Em contrapartida às fortes opiniões do personagem, o que se vê no Brasil, nos dias atuais, é uma atitude de descaso, tanto do poder público quanto da população, pelas línguas faladas pelos povos ameríndios, haja visto que muitas se encontram extintas ou em perito de extinção. Isso torna necessária uma medida que vise a preservas os idiomas desses povos que ainda se mantém vivas.

Em primeiro lugar, é preciso destacar a importância das línguas indígenas para a preservação da cultura brasileira. O portal de notícias dos povos originários do Brasil, o ‘Mídia Índia’, uma vez afirmou, em uma de suas postagens, que perder um ancião, para os índios, é como perder uma biblioteca inteira. Isso se deve ao fato de que os saberes sobre a vida e o mundo é passada, por esses povos, de maneira oral, ou seja, não há registro escrito de seus conhecimentos. Portanto, se perder uma pessoa com conhecimentos já é uma perda enorme, perder um idioma por inteiro tem consequência negativas imensuráveis, como a perda de uma epistemologia inteira, como diria o historiado Luís Antônio Simas, que defende o valor dos saberes não ocidentais e iluministas como formas valiosíssimas de conhecimento.

Em segundo lugar, é preciso frisar que uma das causas da extinção das línguas indígenas do Brasil é falta interesse que a população em geral têm por elas.É muito mais comum, por exemplo, um cidadão ter conhecimento do idioma inglês do que de alguma língua ameríndia. No entanto, esse interesse não é criado por si mesmo, é preciso que se incentive as pessoas a conhecer mais as línguas e a cultura dos povos originários. Em vista disso, fica claro que é preciso uma ação governamental para aumentar que se aumente o interesse nas línguas dos antepassados dos brasileiros, e estas, assim, seja mais usadas e não corram mais risco de serem extintas.

Logo, uma ação eficaz por via do governo, por meio do Ministério da Educação, seria uma mudança na base nacional comum curricular, na qual seria colocado como disciplina obrigatória nos ensino fundamental e médio, o ensino das estruturas e gramáticas das línguas dos povos originários, dando ênfase nas que se encontram em perigo de serem extintas. Assim, a população brasileira teria mais contato com, desde a infância, com essas formas de se comunicar, deixando viva essa forma incomparável de cultura.