A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 18/09/2020
Desde o movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, o Iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entende-se que uma sociedade só progride quando uma se comove com o problema do outro. Entretanto, ao observar a extinção de línguas indígenas no Brasil, nota-se que o ideal de igualdade é contestado. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência governamental e a omissão das escolas colaboram nesse quadro.
Mormente, a inobservância do Governo é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque as autoridades governamentais não se preocupam em preservar as línguas indígenas nativas do Brasil. Logo, com o advento da globalização, muitas tribos indígenas, principalmente da região amazônica, são afetadas pela presença de estrangeiros. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’, algumas instituições-dentre elas o Ministério da Educação- perderam a seu papel social e configuram-se como ‘‘Instituições Zumbis’’ ao manter apenas a sua forma e encarregar a população a resolução de seus problemas. Assim, por consequência da falta de investimento do Governo na preservação da línguas indígenas, observa-se que a extinção delas é uma realidade para a sociedade brasileira.
Outrossim, a ausência escolar na formação dos alunos é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque os docentes apenas se preocupam em ensinar aos estudantes conteúdos cobrados em provas. Assim, os alunos forma-se sem conhecer a diversidade linguística dos índios existente no país. Nesse sentido, de acordo com a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria ‘‘Banalidade do Mal’’, o comportamento humano passa a ser realizado de forma inconsciente quando os indivíduos os normalizam. Logo, ao não transmitir os conhecimentos sobre a importância de preservar as línguas indígenas, muitos professores e estudantes normalizam a ausência desse conhecimento nas escolas.
Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, em parceria com o Ministério da Educação, deve, por meio da criação de um programa de preservação das línguas indígenas, assegurar que as tribos não estão sofrendo interferência estrangeira nociva, a fim de não só preservar os costumes e falas dos índios, como também garantir o ideal Iluminista de igualdade. Ademais, as escolas em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), deve criar na grade curricular dos alunos, uma matéria que vise ensinar a importância das línguas indígenas aos estudantes, com o objetivo de formar alunos com conhecimento da cultura nacional.