A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 09/07/2020

A sociedade hodierna presencia um cenário econômico dominado pelo capitalismo, no qual a população visa o acúmulo de bens e de capital. Como consequência disso, há aqueles que enfrentam horas trabalhistas excessivas, insalubres e sem carteira assinada, plano de saúde ou algum direito garantido pelo Código de Leis Trabalhistas e essa problemática é resultado da alteração na concepção de trabalho ao longo dos séculos. A exploração trabalhista na sociedade moderna gera condições de trabalho desumanas e a ideia de associar o trabalho ao êxito na vida.

Em primeira análise, é importante ressaltar que os trabalhadores que enfrentam uma carga horária excessiva, como os entregadores de comida dos restaurantes que possuem o serviço de entrega, trabalham muito além das horas diárias para, ao final do mês, receber menos de um salário mínimo. Segundo o site de notícias El País, tal massa de empregados é composta principalmente por homens negros e destes, mais da metade trabalha todos os dias da semana. Nesse contexto, podem ser citados, também, os funcionários de empresas maiores, que fazem horas extra frequentemente com intuito de serem promovidos. A jornada diária de trabalho é de, no máximo, oito horas e o trabalhador não pode fazer mais de duas horas extra por dia, mas percebe-se que tais exigências não são respeitadas pelos entregadores, que trabalham até quinze horas por dia, e nem pelas empresas.

Por conseguinte, destaca-se o fato de que, simultaneamente às condições deploráveis de serviço, houve a alteração da concepção de trabalho ao longo dos séculos, uma vez que a palavra é derivada do termo tripalium, que era um objeto de tortura. Na sequência, o ato de trabalhar era considerado castigo e exercido somente por prisioneiros, até chegarem os dias atuais, nos quais ser escravo do emprego é sinônimo de ser “alguém” na vida, obter êxito. De acordo com o sociólogo Karl Marx, o trabalho é a exploração do proletário e a exploração do homem pelo home começa com a produção de excedentes, consequência do capitalismo. Dessa forma, caso as pessoas trabalhassem para produzir apenas aquilo que é necessário para a sobrevivência, não haveria necessidade de uma rotina estressante e exaustiva, mas o consumismo não permite que essa mudança seja feita.

Portanto, cabe ao Ministério do Trabalho, baseado no Código de Leis Trabalhistas, reforçar os direitos dos funcionários para melhorar a qualidade e a segurança do trabalho e reduzir a exploração dos empregados por meio da intensificação na fiscalização das condições e tempo de serviço e da punição de empresas que desrespeitem as Leis do Trabalho. Sendo assim, os funcionários serão valorizados e usufruirão de uma rotina justa e saudável e deverão receber um salário digno, que os permita viver com qualidade e em condições humanas.