A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 09/07/2020

Karl Marx, filósofo, formulou as ideias da lógica do capitalismo, que segundo ele, se sustenta na exploração e dominação da burguesia sobre a classe operária. Nesse sentido, as condições desumanas vividas pelos trabalhadores movimentaram as lutas em busca dos seus direitos, e por meio disso, foram conquistadas as Leis Trabalhistas que assegurariam a dignidade dos mesmos. No entanto, no cenário atual, como forma de se obter maior lucro, o empregado continua sendo explorado e exposto a condições desumanas, que ainda são corriqueiras devido aos empecilhos na fiscalização da aplicabilidade dessas leis.

É primordial ressaltar que, existem diferentes formas de exploração, bem como suas consequências. Assim, segundo o sociólogo Sérgio Buarque, a desumanização do trabalhador é proveniente da priorização do acúmulo de capital acima da qualidade de vida dos operários, transformando-os em meros números. Nessa perspectiva, os trabalhadores sofrem assédio moral- exposições às cobranças severas, intensa produtividade em um curto tempo e descontrole sobre o ritmo de trabalho em ambientes competitivos-, com o objetivo de maiores lucros. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a exploração trabalhista gera graves problemas à saúde, sendo a depressão entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo.

Ademais, a crise econômica e o desemprego em geral, influenciaram no ingresso em trabalhos por aplicativos.Nesse viés, ocorre a flexibilização dos regimes trabalhistas a fim de aumentar as vagas de emprego e enaltecer a economia. Segundo o sociólogo brasileiro Ricardo Antunes, existe uma precarização do trabalho por parte daqueles que são responsáveis por gerar tais postos. Nesse contexto, surge o Uber, serviço que utiliza um aplicativo para oferecer um carro particular como meio de transporte. Desse modo, a “uberização” não se tem uma relação oficial de trabalho, com garantias conquistadas historicamente, como férias e 13° salário.

Infere-se, portanto, que o conturbado cotidiano de trabalho deve mudar. Desse modo, é imperiosa uma ação do Superministério da Economia, que deve intervir, garantindo e ampliando os direitos e benefícios dos trabalhadores, por meio da fiscalização de empresas e de serviços prestados via plataformas digitais, assegurando o cumprimento das Leis Trabalhistas. Ademais, o Governo Federal juntamente ao Ministério da Saúde, pode elaborar políticas públicas voltadas para a assistência médica e psicológica, garantindo a saúde física e mental do empregado. Além disso, cabe à mídia promover uma postura mais crítica e autônoma dos trabalhadores, por meio de ficções engajadas, evitando abusos trabalhistas. Dessa forma, será criado um legado igualitário do qual Marx se orgulharia.