A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 09/07/2020

Em “Tempos Modernos” - filme de Charles Chaplin - é retratada a situação dos operários perante à Revolução Industrial, na qual eles eram submetidos a condições sub-humanas e exploratórias, cujo único objetivo era a obtenção do lucro. Embora lamentável, tal cenário faz-se presente na sociedade contemporânea, haja vista a exploração trabalhista vigente. Diante disso, é fundamental analisar o atual panorama que persiste seja pela desumanização do trabalhador, seja pela fiscalização precária para desconstruir essa realidade tupiniquim.

Em primeira análise, é imperativo salientar a negligência da saúde física e psicológica do trabalhador, gerando sua desumanização. Analogamente, o conceito de Mais-Valia - elaborado pelo sociólogo alemão Karl Marx - define-se como o excedente da produção, baseado na exploração e na alienação do salariado. Nesse âmbito, para a maximização dos lucros, os operários são expostos à uma intensa produtividade, à cobrança severa, à horas extras, ao imediatismo, e outros traços do capitalismo. Consequentemente, o bem-estar desses indivíduos é afetado, o que pode acarretar em doenças psicossomáticas, como ansiedade e depressão.

Outrossim, a ausência de fiscalização efetiva acerca das condições laborais permite relações irregulares de trabalho. Comprovadamente, de acordo com dados de 2016 da Fundação Walk Free, o Brasil possui mais de 160 mil pessoas em situação escrava ou análoga à escravidão. Dessa forma, mesmo que, atualmente, os direitos trabalhistas sejam mais eficientes e abrangentes - com jornada de trabalho definida, férias remuneradas, entre outros - parte da população laboral não está incluída devido ao policiamento precário. Logo, urgem medidas que visem a minimização de indivíduos em condições vulneráveis de trabalho.

Depreende-se, portanto, que, para reverter o atual panorama trabalhista, o Estado - principal responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos - deverá, por meio do Ministério da Saúde, desenvolver políticas públicas que garantam a saúde mental dos trabalhadores, oferecendo acompanhamento médico e psicológico regular e de qualidade, a fim de reduzir a exploração física e mental desse grupo. Ademais, o Superministério da Justiça - responsável pela fiscalização do trabalho - deve, por meio de propagandas públicas, da divulgação de um número de denúncia e de gráficos e palestras informativas, conscientizar a população acerca da existência do trabalho escravo ainda na sociedade atual, além de ampliar e fortalecer a fiscalização, com o intuito de escapar da realidade apresentada por Charles Chaplin.