A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 15/05/2020
Como na música “Construção”, de Chico Buarque, muitos trabalhadores encontram-se ameaçados por uma exploração normalizada; a saber, a trabalhista. Tal paralelo retrata diversas situações não identificadas como exploratórias pelo corpo social, mas que estão presentes no cotidiano. Em vista disso, é fundamental a análise dos fatores que colaboram para a problemática, em busca de sua solução e de uma sociedade igualitária.
Sabe-se que a forma contemporânea pela qual a relação empregatícia se dá é intrínseca ao capitalismo, sendo incorporada e configurada por tal sistema econômico. Dessa forma, a exploração da massa trabalhadora funde-se com a busca por lucro sem parâmetros de justiça social, cujo exemplo tem-se na situação dos empregados nas fábricas durante a Revolução Industrial. Por conseguinte, direitos trabalhistas cerceados são normalizados e tornam-se frequentes. Tal fenômeno expressa-se por salários desproporcionais às horas de serviço – que, de acordo com a OIT, não garantem a subsistência - e por cargas horárias exaustivas que privam o funcionário de momentos de lazer e da sua própria saúde. Ademais, locais inapropriados para o exercício da labuta e a falta de segurança e de equipamentos essenciais também desafiam o bem-estar e os direitos do empregado.
Constata-se, ainda, que a submissão ao subemprego remete ao estrato social a que o trabalhador está inserido, além de, por outro aspecto, perpetuá-lo. Nesse sentido, baixos níveis de escolaridade implicam menores salários e expandem o trabalho informal. Todavia, um cidadão submetido a uma alta carga horária ou sem remuneração que garanta sua subsistência encontra-se impossibilitado de buscar especialização, o que aprofunda a desigualdade econômica e social. Dessa maneira, o contingente de mão de obra qualificada e a possibilidade de desenvolvimento científico de um país diminuem à proporção que a exploração trabalhista se faz presente, haja vista suas implicações. Outrossim, de acordo com Émile Durkheim, um indivíduo só pode agir na medida em que aprender as condições da qual depende. Logo, o trabalhador que desconhece seus direitos não zela por suas garantias, e seu status quo de elo mais fraco da relação com o empregador é fortalecido.