A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 13/08/2021
O escritor angolano Pepetela, autor da obra Mayombe, na fala da personagem Sem Medo: “As pessoas devem estudar, pois é a única maneira de poderem pensar sobre tudo com a sua cabeça e não com a dos outros, para poder conquistar sua liberdade e saber julgar”, refere-se à educação como veículo de mudança na sociedade. Entretanto, a condução da reforma social, tal que deveria ser guiada pelo conhecimento, apoia-se em outros valores os quais têm consequências contrárias à intenção revolucionária do uso educacional como instrumento, devido a negligência estatal e a falta de investimentos neste pilar, os quais agravam a atual conjuntura.
A princípio, cabe mencionar o quadro alarmante da educação no Brasil. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o país tem 11,5 milhões de analfabetos, além de 731 mil crianças não possuírem acesso a educação nem incentivo aos estudos, fatores ignorados pelo Estado. Nota-se, com isso, a deteriorização da sociedade, visto que essa coluna impulsiona o desenvolvimento e a formação dos cidadãos que, sem essa, encontram-se impossibilitados de reconstruírem legados inoportunos, os quais não permitem a liberdade de escolha e pensamento e estagnam o cenário obsoleto e conservador da hodiernidade.
Além disso, vale destacar a falta de investimento na educação como fator demasiado importante para impulsionamento desse óbice. A exemplo disso, é possível citar os cortes contínuos de verbas para a educação no Brasil. De acordo com informações divulgadas pelo Uol, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), no ano de 2020 investiu 10,2% a menos do que em 2019, no qual totalizou R$ 42,8 bilhões gastos na educação, e ainda, foi estudado cortar R$4,2 bilhões em 2021. Tais fatos supracitados corroboram para a deteriorização do conhecimento na sociedade, o qual, segundo o autor brasileiro Paulo Freire: “…emerge apenas através da invenção e da reinvenção, através da inquietante, impaciente, contínua e esperançosa investigação que os seres humanos buscam no mundo, com o mundo e uns com os outros”, e, por conseguinte, a sociedade não possuirá veículo de mudança.
Depreende-se, portanto, a necessidade de caminhos para se combater tais obstáculos. Para isso, é mister que o Governo, por intermédio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), promova levantamentos estatísticos das situações mais latentes, e com isso, disponha de capital suficiente para investimentos adequados na educação, a fim de tornar possível a democratização desse pilar fundamental para a formação do cidadão. Assim, consolidar-se-á uma sociedade ímpar, na qual os índividuos possuem acesso ao estudo e o utilizam como veículo de mudança na sociedade, como referido pelo autor Pepetela.