A educação como veículo de mudança na sociedade

Enviada em 14/01/2021

O romance “A menina que roubava livros” conta a história de Liesel, uma garota que usa a leitura como forma de resistir à alienação da Alemanha nazista. Com efeito, a obra ilustra a importância da educação como veículo de mudança na sociedade. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se consideram a dificuldade em consolidar a revolução digital no contexto educacional e o impacto da falta de investimento do Estado na formação cultural dos cidadãos. Assim, urge a elaboração de medidas para garantir o papel transformador da educação no mundo atual.

De início, é coerente assinalar a relação entre educação e tecnologia na contemporaneidade. Nesse viés, o sociólogo Pierre Lévy afirma que surge, no século XXI, a revolução da hiperconectividade, fenômeno caracterizado pela integração global de pessoas por meio da internet, podendo propagar conhecimento de forma instantânea. Nesse contexto, a vigência do meio digital se destaca no âmbito educacional, uma vez que possibilita a cooperação e expressão em comunidade, seguindo o princípio da ética. No entanto, tal realidade ainda está longe de se consolidar, já que a maioria das instituições de ensino, principalmente as que estão longe de grandes cidades, não possuem recursos materiais nem a capacitação adequada de seus profissionais. Assim, torna-se impossível edificar esse novo ideal de educação.

Sob outra perspectiva, é fundamental apontar o impacto da educação na retificação de desigualdades. A esse respeito, a alfabetização e qualificação de jovens e adultos no Brasil proporcionam a redução do desemprego tal como o aumento da renda populacional. Apesar desse efeito positivo, o país ainda tem mais de treze milhões de analfabetos. Nesse sentido, tal conuntura provém da falta de investimento do governo no setor de Educação de Jovens e Adultos, o qual tem o menor financiamento dentre todos os setores do MEC, de acordo com dados do Fundeb. Dessa forma, o Estado falha em exercer seu dever constitucional, previsto no Artigo 6° da Carta Magna, de garantir o direito à educação a todos e, por conseguinte, impede esses indivíduos de exercer sua cidadania com plenitude.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo federal, a exemplo dos ministérios da educação e da cidadania, por intermédio de políticas públicas, promova a integração das instituições de ensino com os meios digitais - provendo diretrizes de capacitação e equipamentos adequados - e o finaciamento de programas de EJA afiliados a essas instituições a fim de reafirmar o caráter transformador da educação. Assim, será possível confrontar o paradigma de alienação retratado no romance.