A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 15/01/2021
Segundo o filósofo Immanuel Kant, “o homem é tudo aquilo que a educação faz dele”. Nessa perspectiva, o diferente nível de escolaridade oferecida para os indivíduos impacta na sua visão de mundo e na sua relação com o outro, que pode ser conflituosa devido à desigualdade de ensino. Logo, para que a educação exerça seu papel com êxito, todas as pessoas devem ter equidade ao recebê-la para exercerem, por direito, sua cidadania.
Em primeiro lugar, é necessário garantir a todos o acesso à educação, para então perceber seus efeitos. Entretanto, na prática, costumes segregadores estão enraizados na sociedade e provocam preconceitos. Para exemplificar, no ano de 3.000 a. C., no Vale do Rio Indo, as civilizações possuiam um padrão educacional machista, no qual os homens eram ensinados a caçar, e as mulheres a cuidar dos serviços domésticos. Atualmente, onde antes esses povos habitavam, encontra-se o Paquistão, que é um país conhecido pela forte opressão contra a mulher. Desse modo, como citado no livro de Malala Yousafzai, o padrão cultural de sua nação é resultado de séculos de patriarcado que impediu as mulheres de acessarem a educação. Consequentemente, é evidente a nocividade da falta de ensino justo.
Em segundo plano, a educação tem função primordial na relação entre as pessoas, que por sua vez, dependem dela para enxergar o mundo com mais clareza. Dessa forma, como apontado no Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os indivíduos possuem o direito de receber instrução. Nesse aspecto, como no caso de países semelhantes ao Paquistão, a parcela privada de educação possui seus direitos feridos, e torna-se incapaz de executar seus deveres. Assim sendo, como no livro de Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”, quando a protagonista não consegue compreender as músicas da rádio, e é manipulada por pessoas mal intensionadas, são os reflexos da educação deficitária que ela recebeu.
Portanto, o conhecimento possui o poder de mudar as relações interpessoas, pois transforma cada indivíduo. Por isso, para democratizar a sua acessibilidade no Brasil, cabe ao Ministério da Educação a construção escolas, a compra livros didáticos, a contratação de professores e a oferta de transporte gratuito para todos os estudantes, por meio de investimentos nas áreas brasileiras que carecem desses serviços - como o interior, o sertão e as periferias - a fim de tornar possível que todas as pessoas possam acessar um ensino de qualidade, e assim oferecer as mesmas oportunidades independentemente do gênero ou condição econômica, e como sequela, mudar as estruturas da sociedade. Em consequência, o Brasil poderá usufruir das mudanças causadas pela boa educação.