A digitalização da economia
Enviada em 20/11/2021
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, a digitalização da economia configura-se como obstáculo na conquista legítima do bem comum, uma vez que tal expansão digital acarreta insegurança e desigualdade entre o coletivo. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da população, bem como a omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.
É inevitável, em primeiro aspecto, observar a falta de informação e preparo por parte da população que sofre com fraudes em meios digitais, sendo majoritariamente idosos. Esse grupo social é constantemente alvejado por criminosos que utilizam da praticidade tecnológica para cometer delitos. Sob essa ótica, cabe resgatar o “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável”, do psiquiatra Augusto Cury, que retrata a ação individual e seu impacto coletivo, ou seja, a criminalidade faz com que empresas no ramo da economia digital sejam descredibilizadas, tornando mais difícil a introdução da digitalização na comunidade. À luz dessa ideia, é crucial que a população se informe, para que seja possível a utilização segura da tecnologia na economia.
Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de propugnar os direitos dos cidadãos. Nesse sentido, de acordo com o filósofo renascentista Rousseau, o Contrato Social estabelecido entre instutições públicas e privadas requer participação de ambos na obstrução das mazelas sociais. Questões desse tipo auguram indolência do Estado. Assim sendo, faz-se necessária a ação governamental contra atos infracionais, com o intuito de garantir a segurança comunitária e a inserção de novos meios econômicos que auxiliem na evolução da nação.
Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs relacionadas a projetos comunitários, por meio das redes sociais - detentoras de maior abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, as quais divulguem sempre a importância da informação sobre sites e aplicativos voltados para economia. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal - por meio do Ministério de Justiça e Segurança Pública, que revigore as leis para combater ações criminosas e crie programas para informar a população, em especial os idosos, representantes da maior parcela populacional vulnerável a golpes. Somente assim conseguir-se-à retirar a “pedra do caminho” citada por Drummond.