A digitalização da economia
Enviada em 11/10/2021
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que o despreparo da sociedade e do Estado frente à digitalização da economia representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Diante dessa perspectiva, é fundamental a análise da liquidez econômica e do falho sistema educacional, fatores que favorecem esse panorama.
Sob esse viés, a liquidez econômica propicia essa questão. Nesse sentido, o especialista em tecnologia Tom Goodwin evidencia que ao mesmo tempo em que as tecnologias e os dispositivos digitais proporcionam facilidade aos indivíduos e competitividade às empresas, contribuem para a obsolescência de competências e de profissões, tendo em vista a liquidez e o dinamismo da economia da pós-modernidade. Esse fator representa um percalço, pois contribui para o aumento do desemprego: o número de cidadãos que se enquadram nas exigências das empresas, cada vez mais específicas, tende a ser cada vez menor. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no Brasil.
Ademais, é pertinente evidenciar que o falho sistema educacional brasileiro impulsiona essa adversidade. Nesse viés, o rapper Gabriel o Pensador, ao denunciar o modelo de ensino vigente, em “Estudo Errado”, diz “Decorei toda a lição, não errei nenhuma questão, não aprendi nada de bom, mas tirei dez.” A partir disso, conclui-se que caso as escolas não promovam os estudantes para a plena consciência do contexto técnico-científico-informacional no qual estão inseridos - oferecendo aulas que propiciem o manuseio produtivo da internet, com o uso de ferramentas digitais de elevada demanda, como editores de texto e de construção de imagens em 3D - eles serão incapazes de assumir postos de trabalho e de contribuir para o desenvolvimento econômico. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater os empecilhos elencados, Para isso, é fundamental que o Executivo, por meio do Ministério da Educação e da capacitação de professores quanto ao uso de aplicativos digitais, ofereça aulas de informática em todas as escolas da rede pública de ensino, a fim de modernizar o modelo educacional brasileiro e adequá-lo à liquidez do mercado de trabalho contemporâneo. Isso pode ser feito com aulas dinâmicas, capazes de proporcionar aos alunos o levantamento de lacunas existentes na coletividade, que podem ser “preenchidas” ou atenuadas pelo meio digital. Assim, será concretizada uma sociedade engajada nas transformações da pós-modernidade, de modo que possa ultrapassar essa barreira aos planos de Thomas More.