A digitalização da economia

Enviada em 09/10/2021

No livro " 21 lições para o século 21", o autor, Yuval Harari, aborda diversos temas pertinentes ao século atual, dentre os quais está o desafio tecnológico. De fato, ele está correto, pois a digitalização econômica é uma instigação contemporânea que se encaixa nesse assunto e merece atenção. Desse modo, algumas dificuldades e problemas são encontrados ao analisar a sua proposta, seja pela desigualdade digital, seja pelo entrave do uso de novas tecnologias por pessoas mais velhas.

Em primeiro plano, convém enfatizar que a desigualdade digital exclui parte da população de aprender, se atualizar e se inserir na digitalização da economia. Nessa óptica, segundo a pesquisa TIC-Domicílios, no Brasil, 28% dos domicílios não possuem acesso à internet. Sob esse viés, nota-se que os carentes de aparelhos e serviços digitais estão em desvantagem em relação aos demais, a exemplo situação da pandemia do Covid-19, na qual milhares de jovens brasileiros ficaram sem assistir às aulas escolares, por causa da ausência de computadores ou internet. Dessa forma, é frustante que não hajam medidas para assegurar a plena inserção dos indivíduos na educação tecnológica e na economia digital.

Sob essa perspectiva, também é importante ressaltar a transição do analógico para a digital como uma dificuldade de adaptação para as pessoas mais velhas. Nessa visão, segundo a revista “Veja”, uma parte significativa das pessoas mais velhas não costumam usar presentes tecnológicos, pois não sabem configurá-los. De maneira análoga, percebe-se que muitos idosos têm atrito com as novas tecnologias e, consequentemente, atrito com as novas formas de realizar certas ações, como a troca de informações online, novas formas transações bancárias, como o Pix, e-commerce, etc. Além disso, as novas situações que a digitalização traz deixam os idosos desinformados suscetíveis à fraudes, roubos de dados pessoais e muitos outros golpes online. Desse jeito, é inaceitável que os mais velhos sejam alvos crescentes de crimes digitais por desconhecimento de suas características, funções e usos.

Assim, fica evidente que a desigualdade digital e o desconhecimento digital por parte dos mais velhos são problemas que impedem os cidadãos de se inserirem na digitalização econômica. Por isso, a ONU e seus 6 órgãos, a exemplo da “Assembleia Geral”, do “Conselho Econômico e Social” e do “Secretariado”, deve oferecer um curso de “Tecnologia e Mídias Digitais”, por meio do encaminhamento de parte do capital público para tais realizações. Nesse sentido, o intuito de tal medida é diminuir a desigualdade digital e aumentar o conhecimento dos mais longevos à respeito da tecnologia e, consequentemente, aumentar a inserção social na digitalização da economia.