A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 19/11/2021

O voluntariado é uma ação beneficente que objetiva suprir as necessidades sociais e comunitárias do país. Com essa definição, revela-se a importância dessa atividade de caridade para a harmonia da sociedade. No entanto, nota-se a irresponsabilidade governamental no que tange ao trabalho voluntário no Brasil. Nesse sentido, percebe-se que o tema espelha um contexto desafiador, seja em razão do machismo patriarcal, seja pelo preconceito.

Nessa perspectiva, carece destar que a ancestralidade machista influencia, gradativamente, na diminuição das taxas de homens voluntários nos ofícios de beneficência, por conta do forte estímulo ao machismo historicamente herdado. Assim, cita-se a Revolução Industrial, por exemplo, a qual aproveitava-se da mão de obra feminina para realizar trabalho escravo e não remunerado, tal ato causava a desmotivação dos homens em participar das tarefas fabris e das domésticas, o que concretiza a formação da nação machista vigente, por meio de influências ancestrais. Simultaneamente, vê-se que esse acontecimento na história contribui para a construção do Brasil contemporâneo, visto que há a carência na presença de homens no voluntariado, segundo dados do site G1.

Ademais, deve-se ressaltar que as pessoas, cada vez mais, optam por não se executar em operações de caridade e afastar-se da pobreza popular, por causa do contato com grupos economicamente desfavorecidos e da aversão às camadas mais pobres. Logo, menciona-se uma filósofa Adela Cortina e sua teoria da Aporofobia, a qual afirma que existem seres humanos incapazes de relacionar-se com indivíduos de baixa classe graças à repulsa contra sujeitos carentes, o que fortalece o caráter egoísta da raça humana, por intermédio de diferenças econômicas. Paralelamente, observa-se que essa é uma realidade enfrentada no país, já que as diferenças monetárias são as responsáveis ​​pela queda no número de voluntários, de acordo com informações do jornal O Globo.

Portanto, é necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos- órgão de ampla abrangência- atente-se aos homens e mulheres com a cultura machista enraizada, com urgência, por meio de palestras e debates prestados por especialistas, a fim de aproximar os cidadãos dos malefícios do machismo na execução de trabalhos voluntários e incentivar a adoção das atividades beneficentes livres de quaisquer preconceitos. Associadamente, o Estado deve utilizar-se da mídia- principal meio de propagação de informações- para alertar os indivíduos de seus direitos e deveres quanto ao voluntariado no Brasil, por intervenção de anúncios diários, com a finalidade de formar sujeitos informados.