A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 18/11/2021
De acordo com a mitologia grega, o Rei da ilha de Creta requisitou a construção de um labirinto debaixo do palácio de Knossos para isolar e esconder uma criatura problemática de todos os cidadãos cretenses: o Minotauro. Fora do cenário mitológico, as sociedades atuais também carregam consigo “Minotauros contemporâneos”, isto é, diversos problemas que não são suficientemente debatidos e enfrentados, a exemplo da desvalorização do trabalho voluntário. Diante disso, torna-se imprescindível analisar criticamente a omissão governamental e a negligência midiática como fatores que obstaculizam a ênfase à importância do trabalho voluntário no Brasil.
Em primeira análise, é lícito ressaltar a negligência do setor educacional na valorização à importância do trabalho voluntário no país, uma vez que o conhecimento sobre necessidade em colaborar com as questões socias não é priorizado. Esse panorama é reflexo da influência do Positivismo, que afirma a necessidade de um processo educacional técnico como forma de gerar mão de obra produtiva para o mercado de trabalho. Tal lógica está enraizada na educação brasileira e coloca em descrédito o serviço humanitário, afinal, são escassas palestras e campanhas nas instituições escolares que incentivem os educandos a exercerem essa prática voluntária. Por conseguinte, o sistema de ensino fomenta a desvalorização do trabalho voluntário.
Ademais, é válido denunciar a omissão do setor midiático no combate a desvalorização do serviço humanitário. Isso ilustra o pensamento de Émile Durkheim, o qual apresenta a mídia uma macroestrutura social responsável por influenciar negativamente os indivíduos - microestruturas sociais. Essa reflexão sociológica é elucidada pela falha dos aparelhos midiáticos em não priorizar a divulgação de muitas organizações que ajudam voluntariamente brasileiros desamparados, visto que seria uma forma de demonstrar a importância dessa ação para o tecido social. Consequentemente, os telespectadores não são sensibilizados socialmente sobre a necessidade da atividade humanitária.
Portanto, urgem intervenções para o combate a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. Desse modo, o Ministério da Educação, órgão responsável pela educação de todos, deve incentivar o serviço voluntário dos estudantes, por meio de palestras no ambiente escolar que sensibilizem os alunos sobre o assunto, a fim de não se concretizar na educação brasileira o Positivismo. Outrossim, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, deve destacar as ações voluntárias nos meios midiáticos, por meio de publicidades em horários nobres que tratem sobre o tema, a fim de promover a valorização do trabalho voluntário na mentalidade dos brasileiros. Destarte, o “Minotauro contemporâneo” em análise será combatido.