A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 18/11/2021
A princesa britânica Diana de Gales foi a pioneira da família real a realizar o voluntariado, destacando-se no rompimento de preconceitos acerca dos portadores do vírus HIV ao praticar atitudes generosas para essas minoria. Embora tais gentis ações sejam imprescindíveis para o desenvolvimento das comunidades locais e para a disseminação da empatia, nota-se que o trabalho voluntário ainda é desvalorizado na sociedade brasileira, dado o crescente individualismo atualmente. Torna-se necessário, então, reconhecer os benefícios dessa prática e incentivá-la em território nacional.
Em primeira análise, cabe salientar os ganhos pessoais e coletivos gerados pelo voluntariado, sendo imperioso o seu reconhecimento. De acordo com o eminente filósofo Immanuel Kant, devemos agir como se nossas ações e vontades convertessem-se em leis universais: conceito denominado imperativo categórico. Sob esse viés, caso o indivíduo buscar fazer pelo outro tudo aquilo que gostaria que um dia fizessem por ele, essas atitudes se multiplicariam. Assim, atos amistosos se propagam, os quais asseguram a qualidade de vida comum e fortalecem o desenvolvimento pessoal.
Contudo, o egoísmo da sociedade brasileira contemporânea contribui para a desvalorização do trabalho voluntário. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o mundo dos séculos XX e XXI é marcado pela centralidade do indivíduo nas relações sociais, o qual se guia por suas aspirações pessoais e evita a sua subordinação a instituições. Nesse sentido, o desinteresse populacional em promover ações empáticas e benevolentes para com a sua comunidade, dado o seu egocentrismo, colabora para o distanciamento da prática da cidadania e a tomada de atitudes apenas para a satisfação própria. Logo, é crucial garantir o engajamento da coletividade brasileira em propostas de trabalho voluntário no Brasil.
É fundamental, portanto, estabelecer caminhos para o reconhecimento da importância do voluntariado no Brasil, ora no âmbito informacional, ora no legal. Para isso, o Ministério da Cidadania deve promover a adesão a esse tipo de trabalho no país - como o programa governamental intitulado Pátria Voluntária, que incentiva o voluntariado -, mediante campanhas midiáticas de veiculação nacional, as quais precisam divulgar os benefícios dessa prática tanto para a sociedade quanto para o bem-estar individual. Essa ação terá como objetivo o reconhecimento do voluntariado e seu estímulo. Outrossim, cabe ao Governo Federal proporcionar vantagens estudantis aos que praticam essas ações benevolentes - a exemplo dos Estados Unidos da América, que analisa as atividades benéficas à comunidade feitas pelos alunos como critério para a seleção nas universidades. Com essas providências, atos como o da princesa Diana serão mais frequentes na coletividade.