A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/10/2021
No filme nacional “Central do Brasil”, a professora aposentada Dora tem um papel muito importante e inclusivo, pois escreve cartas para pessoas analfabetas, sem nenhum retorno financeiro. Fora da ficção, esse cenário solidário importante encontra-se escasso na realidade brasileira atual, devido a crescente desvalorização do trabalho voluntário na sociedade. Nesse sentido, alguns aspectos agravam, ainda mais, a temática, tais como: a apatia humana e a desigualdade social.
Em primeira análise, a falta de sensibilidade do corpo social é um impulsionador da problemática. Nessa óptica, segundo o filosófo Zygmunt Bauman, “em tempos de modernidade líquida, a indiferença ao próximo é habitual”. Concomitante a afirmação do estudioso, a ausência de empatia é uma característica marcante da era da geração Z, dado que as relações pessoais são frágeis e maleavéis como os líquidos. Assim, a população torna-se individualista e não se sensibiliza se o próximo estiver em uma situação degradante ou se precisa de amparo. Dessa forma, a assistência disponibilizada para essa parcela necessitada é precária, pois atitudes caridosas, como o trabalho voluntário, estão em declínio no país, o que acaba por agravar o exposto.
Ademais, o constraste de realidades presente na coletividade auxilia na perpetuação do impasse. Nessa perspectiva, o Brasil é o oitavo país mais desigual do mundo, de acordo com a ONU - Organização das Nações Unidas -, ou seja, a distribuição de renda é extremamente desproporcional. Desse modo, é inegável que a efetivação do serviço sem remuneração é árdua, visto que grande parte da população, parcela menos favorecida financeiramente, precisa ganhar dinheiro para sobreviver e sustentar suas famílias, por isso, é necessário que passe grande parte do seu tempo em um trabalho que há um retorno monetário. Logo, é nítido que a disparidade social provoca uma desvalorização dessa prática.
Portanto, medidas devem ser tomadas para reverter esse quadro. Para isso, as escolas devem incentivar os alunos a participarem de serviços voluntários, por meio de projetos socioeducativos - que levem os estudantes aos locais que as pessoas precisam de ajuda, como os asilos e orfanatos, para fazer esses trabalhos de solidariedade -, a fim de demonstrar a importância dessa ação na prática e aumentar o percentual de trabalhadores filantropos. Dessarte, casos como o da Dora na obra cinematográfica “Central do Brasil” seria mais comum no Brasil.