A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 07/10/2021
Na produção cinematográfica “Patch Adams”, é narrada a vida de um médico que por meio do bom humor e do trabalho voluntário, ajuda pacientes hospitalares a se recuperarem de suas doenças com alegria. Infelizmente, ao estabelecer uma análise da sociedade brasileira hodierna, é perceptível a presença de uma realidade distinta da apresentada no filme, na qual, devido à notável desvalorização do trabalho voluntário e a falta de estímulo do governo para mudar esse cenário, faz com que, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), menos de 5% da população participe de atividades voluntárias, situação que exige mudanças.
Em uma primeira abordagem, é válido ressaltar que a importância do trabalho voluntário não é uma invenção atual, durante a Primeira Guerra Mundial, mulheres se voluntariavam para ajudar no tratamento dos feridos, ajudando muitos deles terem uma segunda chance de viver. Com o passar dos anos, novas organizações como a “Doutores da Alegria”, que é responsável por levar o bom ânimo para crianças e adolescentes internados, foram criadas, e junto delas, milhões de pessoas puderam ter a esperança de dias melhores, fator que mostra a suma importância do trabalho voluntário.
Entretanto, mesmo com a existência de entidades caridosas como a supracitada, a prática de ajudar quem precisa é ainda algo pouco frequente e que devido à falta de incentivo governamental por meio de campanhas, divulgação nas redes sociais e projetos solidários, é cada vez menor. Sem ações sociais que visam contribuir para um mundo melhor, a sociedade se torna desigual e pessoas em condições vulneráveis como moradores de rua, animais abandonados, indivíduos enfermos e vítimas de desastres, sofrem sozinhos e sem nenhum apoio, muitas vezes desistindo de suas vidas.
Em vista dos argumentos elencados, é mister a adoção de medidas que visem combater a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. Uma providência válida, é a elaboração de uma lei, sugerida pelo Ministério da Cidadania e colocada em prática por meio de sua aprovação na Camâra dos Deputados, que vise tornar obrigatória a participação em pelo menos um trabalho voluntário a cada 15 anos, iniciando sua obrigatoriedade a partir da complitude da maioridade do cidadão, e assim beneficiando as pessoas em situações desfavoráveis com o amor e a ajuda fornecida e também ao próprio voluntário, que desenvolverá habilidades fundamentais para o desenvolvimento humano, como a empatia, a generosidade e o senso de justiça. Dessa forma, atitudes como a do médico aludido serão cada vez mais presentes na sociedade, deixando de serem restritas à ficção.