A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 25/08/2021
De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, do escritor Stefan Zweig, escrita em 1941, Brasil é sinônimo de progresso, o que faz o livro assumir uma visão promissora de um tempo de ouro. Entretanto, há uma grande discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista o panorama do trabalho voluntário no país — uma questão complexa e necessária de se analisar em amplitude. Assim, é possível afirmar que não só a rotina de trabalho extenuante da legislação brasileira, mas também a falta de empatia das grandes empresas para com as relações sociais fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.
Inicialmente, é necessário dizer que a prática de boas ações é um componente importante para o desenvolvimento do sentimento humanitário e própria ao bem-estar de uma sociedade. Entretanto, conforme a legislação trabalhista afirma uma rotina de trabalho de aproximadamente oito horas, somado ao aconselhamento de uma noite de sono de mesmo valor temporário pela World Health Organization, dois terços do dia são gastos para necessidades imprescindíveis. A partir desse aspecto, é evidente que uma população que tem apenas um terço de tempo livre não se submeta a trabalhos voluntários — afinal, é muito fácil a afirmação do descaso para com o trabalho voluntário sem levar em conta a qualidade de vida dos indivíduos ajudantes.
Ademais, outro tópico importante tange à questão ambicionista por parte de instituições com grande arrecadação monetária, as quais se sentem satisfeitas em sua redoma mercadológica sem preocupação social. Por exemplo, a rede da companhia Supermercados BH constantemente pede doações no momento da quitação do débito da compra, o que é muito mais conveniente retirar mais dinheiro do trabalhador do que parte do lucro da empresa e redirecionar aos ofícios de caridade e ajuda humana. A priori, é irrefutável o descaso de certas empresas em relação à estrutura social do país — aliás, são elas que poderiam fazer o diferencial na vida de muitos necessitados, e não atribuir tal tarefa ao indivíduo laboral.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de trabalho, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca não só da necessidade de mudança na carga horária laboral para a efetiva realização dos projetos sociais, mas também sobre a indiferença de grandes firmas em relação aos problemas estruturais. Espera-se, com tudo isso, uma população mais esclarecida e, por conseguinte, uma alteração da postura institucional no conjunto de leis trabalhistas.