A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 23/04/2021

São direitos sociais a educação, a saúde, a moradia, entre outros e esses possuem garantia constitucional, ou seja, é uma obrigação estatal, e, por isso, deve ser implementado para que toda a sociedade tenha acesso. Para garantir a sua real aplicação, é necessário que o Estado e a sociedade promovam o trabalho voluntariado. Porém, apesar da suma importância das iniciativas solidárias, essas sofrem uma desvalorização, por conta da cultura do individualismo e da indiferença das autoridades.

Primeiramente, cabe ressaltar que conforme Bauman as relações humanas, na era pós-moderna, não passam de conexões, ou seja, essas são frívolas e descartáveis, sendo que os indivíduos buscam apenas o prazer pelo prazer. Portanto, nesse quadro de individualidade exacerbada, o agir pelo outro empaticamente não encontra um terreno fértil, o que gera pouco engajamento nas ações altruístas por parte dos cidadãos. Tanto que, no Brasil, somente 4,4% da população pratica o trabalho voluntariado, conforme o IBGE. A fim de mudar esse cenário é urgente que o Estado junto com as instituições do Terceiro Setor invistam em programas que incentivem a iniciativa humanística.

Certamente, o Estado é a principal autoridade em promover o bem-estar dos seus cidadãos. Porém, a lógica do neoliberalismo, que impera na economia e na política, apregoa a intervenção mínima do Estado na sociedade, o que a deixa em desamparo. Tanto que, de acordo com o IBGE no ano de 2020, 34% da região metropolitana brasileira encontra-se em estado de vulnerabilidade. Decerto, que o trabalho voluntariado, que trabalha com esse grupo em situação de risco, tem como escopo diminuir a ausência estatal e fornecer à sociedade serviços que a ajudem a atenuar e a quebrar o ciclo da pobreza e da miséria, ajudando na promoção da dignidade da pessoa humana.

Em face do acima exposto, é preciso que o Ministério da Educação junto com as organizações não governamentais (ONGs) promovam cursos que incentivem a cultura da coletividade e do trabalho voluntário. Sendo que, esses devem ser ministrados nas escolas e nos centros comunitários, em formato presencial e online, para assim, garantir um maior público e com isso transformar a sociedade para uma que seja mais solidária. Como também,  faz-se necessário que o Governo Federal transfira parte da receita financeira aos municípios e que essa seja vinculada para serviços sociais voluntários. E Sendo assim, os empreendimentos altruístas terão o suporte necessário para as suas atividade e poderão contribuir na diminuição das mazelas sociais.