A democratização do acesso ao serviço de odontologia

Enviada em 31/03/2025

A democratização do acesso ao serviço de odontologia é um desafio no Brasil, onde milhões de pessoas sofrem com a perda dentária, mas não conseguem custear tratamentos adequados. Apesar de o país ter o maior número de dentistas do mundo, a distribuição desigual dos profissionais e a predominância do setor privado dificultam o atendimento às camadas mais vulneráveis da população. Dessa forma, a falta de acesso a tratamentos odontológicos compromete a saúde e a qualidade de vida dos cidadãos. Com efeito, para prevenir e assegurar os direitos humanos é necessário analisar o acesso adequado para todos os cidadãos, bem como diminuir a grande desigualdade social inclusa na problemática.

Nesse contexto, a Constituição Federal de 1988 estabelece a saúde como um direito de todos e um dever do Estado, incluindo a saúde bucal. No entanto, os serviços odontológicos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda são limitados, atendendo apenas cerca de 30,7% da população. Essa insuficiência evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes para garantir um atendimento acessível e de qualidade.

Além disso, a dificuldade de acesso aos serviços odontológicos agrava desigualdades sociais. O sociólogo Pierre Bourdieu destaca que a desigualdade se perpetua quando o acesso a bens e serviços essenciais é restrito a determinadas classes. Assim, a falta de atendimento odontológico adequado compromete não apenas a saúde, mas também oportunidades sociais e profissionais, uma vez que a estética e a funcionalidade dos dentes influenciam a autoestima e a empregabilidade.

Dessa maneira, é essencial que o governo amplie o acesso à odontologia por meio da criação de mais unidades de atendimento no SUS, a fim de ter uma valorização maior dos profissionais no setor público. Além disso, campanhas de conscientização sobre a importância da higiene bucal podem ajudar na prevenção de doenças. Com essas medidas, será possível garantir que a saúde bucal seja um direito efetivo e não um privilégio de poucos.