A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 22/10/2021
Na primeira Conferência Nacional de Desenvolvimento Regional (CNDR), o escritor Ariano Suassuna relatou que seus ex-alunos não tinham conhecimento de quem era Matias Aires, um dos nomes mais destacados da cultura brasileira. Em consonância com a história do escritor, está a realidade de muitos cidadãos brasileiros, já que o estigma associado à falta de democratização da cultura é uma problemática brasileira enfrentada pela sociedade. É evidente a importância da cultura para a construção da nação e de toda a população. Ainda assim, é um tópico pouco discutido. Porém, mesmo sendo importante para o desenvolvimento social, um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou inúmeras desigualdades ao acesso à cultura no país. Os dados mostram que o investimento total vem aumentando ao longo dos anos, mas abaixo da inflação, e a participação do setor nos orçamentos públicos está diminuindo. O estudo também mostra que as pessoas com baixa renda financeira são as que mais sofrem com isso. Cerca de 44% das pessoas negras e pardas vivem em cidades sem cinemas, 37% dos municípios não têm museus, 70% da população nunca foi a um espetáculo de dança ou exposições de arte. Além disso, mais de um terço das crianças e adolescentes não possuem acesso a livros, porque a média de preço é muito alta se comparada à renda da população.
Portanto, é evidente que a democratização da cultura pode ser conquistada, se o sistema educacional brasileiro abordasse com eficiência o assunto. Afinal a discussão sobre a situação cultural no Brasil é superficial. Também é interessante a criação de campanhas para exibir a real situação da maioria dos municípios e dos brasileiros, mostrando sua importância em qualquer nação.
Outra possível solução, é o governo brasileiro, por meio da Secretária da Cultura, promover a criação de exposições de arte em periferias e em municípios do interior, visando a acessibilidade dessa minoria ao meio artístico.