A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 07/10/2021

Em 2001, o Brasil enfrentou uma de suas maiores crises energéticas, conhecida como “O Apagão”, ocasionada pela escassez hídrica aliada à falta de recursos em outras formas de produção de energia. Contudo, mesmo que esta trágica situação tenha ocorrido há cerca de duas décadas, o Estado brasileiro ainda apresenta problemas em manter o abastecimento elétrico durante períodos que faltam água. Tal realidade, é ocasionada não só pela dependência, quase que exclusivamente, de uma fonte produtiva de eletricidade, como também devido ao alto custo ambiental e econômico demandado pelo uso de termelétricas.

A priori, é imperativo destacar como o povo brasileiro é altamente dependente de uma só via de abastecimento energético. Segundo a ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, mais de 60% das reservas de eletricidade produzidas no Brasil vêm das usinas hidráulicas e há mais de 7 anos o país sul-americano apresenta seus reservatórios hidroelétricos abaixo da média histórica. Nesse viés, depreende-se como a falta de investimentos na diversidade de matrizes de energia é danosa à sociedade, uma vez que esta fica à mercê de uma só fonte de abastecimento para sustentar uma comunidade inteira. Dessa feita, nota-se a formação de um ciclo problemático, em que todo o país depende de condições climáticas ideais para continuar funcional.

Outrossim, é oportuno comentar os danos ocasionados pelo uso das termelétricas em períodos de suspensão da energia vinda de fontes hídricas. Segundo o jornal “ÉPOCA”, as usinas térmicas, no Brasil, são responsáveis por cerca de 30% da emissão de gases que provocam o efeito estufa. Nessa perspectiva, é lícito afirmar o quão insensato é necessitar de uma produção elétrica como esta, uma vez que, mesmo que seja produtiva, gera altos impactos ambientais e econômicos, afetando, ainda mais, a crise hidrológica. Exemplificando, vale citar a pesquisa da fonte midiática “G1”, na qual é expresso que cerca de 25 bilhões de reais anuais são necessários para manter a produção de energia provinda de grandes infraestruturas dependentes do abastecimento térmico.

Destarte, em vista dos fatos supracitados, é necessário que o governo, por meio de uma parceria com instituições privadas responsáveis pela produção de energia elétrica, amplie seus investimentos em métodos alternativos de produção energética, especialmente a fonte eólica, com o intuito de que a comunidade brasileira não esteja vulnerável à falta de eletricidade em tempos futuros. Ademais, cabe ao Ministério da Infraestrutura, por meio de uma parceria com ONGs de caráter social, criar um programa que propague hábitos ecológicos para os mais diversos indivíduos, a fim de que novos estresses hídricos não ocorram e eventos como “O Apagão” não se repitam.