A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 19/09/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações, frequentemente, esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar a problemática da crise hídrica brasileira e seu impactos na geração de energia. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante ressaltar a negligência estatal e a educação brasileira.

Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais que alterem a principal forma, escolhida pelo Brasil, para gerar energia: a hidráulica. Nessa conjuntura, a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 225, que o Estado deve proteger a fauna e a flora. Sob esse viés, na medida em que a construção e o uso de usinas hidrelétrica gera alto impacto ambiental como o desmatamento e perda da biodiversidade local, observa-se, nesse ponto, a falha grotesca da função do poder público, o que, infelizmente, é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada ao disperdício de água. De acordo com o musicólogo Vladimir Jánkélevitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, percebe-se que ínumeros brasileiros consomem àgua sem economia, não praticam sua reutilização e disperdiçam litros diários. Essa situação ocorre, porque a população assume uma postura individualista e não se movimenta em prol da causa ambiental. Desse modo, é inadismissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, que medidas governamentais são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve promover uma feira para a apresentação de projetos estudantis com o objetivo de descobrir novas formas de geração energia sustentável, o melhor projeto deve ser premiado com patrocínio e recursos para coloca-lo em prática. Além disso, cabe ao Ministério da Educação promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino fundamental e médio como público alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “Live” com a finalidade de trazer mais clareza sobre o desperdício de água, preservação de recursos naturais e a atual crise hídrica brasileira, atingindo um público maior. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela incorporação do elementos elencados na Magna Carta.