A crise hídrica brasileira e seus impactos na geração de energia

Enviada em 28/09/2021

O Brasil possui em seu território a segunda maior hidrelétrica do mundo, a Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu, localizada uma parte em Foz do Iguaçu, Paraná e outra no país Paraguai, esta aproveita o potencial do rio Paraná, o segundo rio mais volumoso e extenso do país. Dessa forma, qualquer crise hídrica compromete o rendimento da usina em transformar energia potencial gravitacional em energia cinética. Assim, é essencial a criação de ações que minimizem os impactos na geração de energia decorrente da deficiência hídrica, como aumentar a variedade da matriz energética brasileira e controlar os focos de desmatamento ilegais.

Sob essa perspectiva, é notório como o Brasil, historicamente e geograficamente, deu preferência para produzir energia através dos volumes dos rios, construindo usinas e barragens. Com isso, a matriz energética brasileira se tornou dependente da água, dado que a energia que abastece o país é proveniente deste recurso natural. Dessa maneira, segundo dados de 2019 do Balanço Energético Nacional Interativo, 64,9% da energia consumida no Brasil é de fonte hidráulica. Em vista disso, nos períodos que há mais seca e/ou crise hídrica, decai o potencial enérgico, o resultado disso é, aumento nas contas de energia e água, apagões de energia e racionamento de água, medidas que evitam uma crise de maior intensidade hídrica no país.

Outrossim, é indiscutível que a água, por ser um recurso oriundo da natureza, tem seu ciclo natural que participa de várias fases biológicas, no qual o desmatamento afeta negativamente, pois diminui a taxa de evapotranspiração. Nesta ótica, de acordo com o professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, a baixa histórica do nível dos reservatórios das hidrelétricas e a crise energética pela qual o Brasil passa está diretamente relacionada ao desmatamento da Amazonia. Consequentemente, todo o país é prejudicado pela negligência do Estado em monitorar as matas para impedir o desmatamento ilegal, que acarreta secas e não abastece os rios, afetando a geração de energia.

Indispensável, portanto, a criação de medidas interventivas no âmbito da energia, água e controle do desmatamento. Para isso, é mister que o governo invista e financie pesquisas para a produção de novas formas renováveis de energia, como a maremotriz - geração de energia por meio do movimento das marés - devido à grande extensão litoral brasileira, a fim de ser independente das hidrelétricas. Além disso, deve estimular, por meio de incentivos fiscais a população adquirir placas solares (energia solar) em suas residências, com a finalidade de economizar energia elétrica. Assim, deve também, promover campanhas de reflorestamento e uso consciente da água, para minimizar os impactos na crise hídrica. Isto posto, a sociedade será um lugar mais sustentável e respeitoso com a natureza.