A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 19/09/2021
O documentário Perrengue nos revela de forma clara os entraves sofridos no cotidiano pela população paulista no que tange a mobilidade urbana. Essa realidade, também presente em outros grandes centros urbanos, tem como um de seus reflexos o surgimento de uma acentuada crise no direito de ir e vir dentro das cidades brasileiras. Tal fenômeno, é fruto de decisões históricas tomadas por governos anteriores, em que buscou-se a priorização do transporte individual em detrimento do público, bem como a concentração urbana em pontos específicos do país.
A princípio, sabe-se que os principais problemas relacionados a mobilidade urbana atualmente presentes no Brasil são resultados da falta de planejamento urbano em períodos anteriores. Com isso, durante a industrialização do país em meados do século XIX, visou-se a atração de investidores no país através das grandes empresas automobilísticas. Nesse sentido, fomentou-se a construção de rodovias priorizando o transporte individual em detrimento do transporte público. Tal decisão, reverberou no sucateamento do transporte público que conhecemos hoje, em que muita das vezes este é precário ou quase inexistente em determinadas regiões. Desta forma, com a falta de meios públicos voltados à mobilidade urbana que atendam a todos igualitariamente, acentua-se ainda mais essa crise já existente.
Além disso, a concentração espacial urbana foi decisiva para o surgimento dos conglomerados urbanos, que por sua vez, facilitariam ainda mais os novos entraves relacionados ao fluxo de pessoas. Essa tendência, foi fortemente influenciada pela concentração de polos industriais, em que nas décadas de 90 centralizou-se as grandes indústrias próximas à região do Sudeste, originando então o exôdo rural. Nesse contexto, aumentou-se o movimento migratório de pessoas rumo à esta parte do país, que não acompanhou tal crescimento em conjunto com políticas públicas e infraestruturas de mobilidade. Desse modo, tais impasses refletiram-se nos problemas metropolitanos atuais, como a super lotação em transportes públicos, bem como sua difícil movimentação nos arredores da cidade.
Exposto o contexto, fica evidente que medidas devem ser tomadas. É fundamental que o Ministério da Infraestrutura junto à governadores estabeleçam políticas públicas de incentivo ao transporte público, bem como a construção de novos meios de transporte. Estas medidas, se darão pela criação de pedágios urbanos em grandes centros metropolitanos a fim de diminuir o intenso fluxo de transportes individuais, além do direcionamento de investimentos a novos transportes públicos de qualidade, com o objetivo de não segregar o trânsito mediante a renda, tais como trens e metrôs. Dessa maneira, busca-se uma sociedade mais justa e agradável a todos mediante a meios de mobilidade mais igualitários.