A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 15/09/2021

A população urbana brasileira ultrapassou a rural na década de 1960 e desde então cresce anualmente. No entanto, o ritmo de crescimento não acompanhou o planejamento das cidades, o que desencadeou uma crise na mobilidade urbana. Isso ocorre seja pelo cansaço excessivo compartilhado pelos habitantes brasílicos, seja pela imobilidade do povo. Dessa forma, é necssário que essa chaga social seja resolvida, a fim de que a mobilidade flua novamente nos centros urbanos.

Sob essa perspectiva, é válido citar as consequências mentais de viver em uma sociedade capitalista. Segundo o filósofo Byung Chul Han, a sociedade hodierna vive cansada devido à exploração sofrida no trabalho. Assim, infere-se que o homem moderno esgota-se de execuções laborais e não observa os problemas sociais à sua volta, como a péssima mobilidade urbana. Esse fato pode ser observado no livro “Cidadãos de papel”, no qual Gilberto Dimenstein afirma que a cidadania é inerte ao papel, já que a população não a coloca em prática no cotidiano. Desse modo, é imprescindível que, para a refutação de Dimenstein, essa problemática seja revertida.

Ademais, a naturalização da precária mobilidade brasileira contribui para a perpetuação desse problema móbil. Conforme a filósofa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação permite concluir que mobilidade urbana tornou-se tão debilitada que o povo habituou-se a ela, prolongando o fenômeno devido à falta de ação social. Isso pode ser comprovado na frase do autor Lima Barreto, o qual afirma que “O Brasil não tem povo, tem público”. Dessa maneira, esse panorama urge ser solucionado para que o conceito da filósofa e do escritor sejam contestados.

Portanto, algo precisa ser feito com urgência para solucionar a problemática móbil em questão. Logo, o Ministério da Infraestrutura - órgão responsável por gerir e garantir a fluidez dos transportes -, em parceria com o Ministério da Economia, por meio da canalização de recursos do Estado, devem realizar a duplicação das rodovias mais afetadas pelo trânsito. Consequentemente, a mobilidade nas áreas urbanas fluiria mais e esse problema social seria solucionado.