A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 02/09/2021

De acordo com o filósofo Friedrich Hegel, o Estado deve proteger os seus “filhos”. Tal ideia, no entanto, encontra barreiras para ser efetuada, sobretudo, no Brasil, em que o desequilíbrio da mobilidade nos grandes centros vem crescendo cada dia mais. Logo, se torna imprescindível que a visão distorcida do problema trazida pela mídia e a negligência estatal no âmbito da locomoção pública acabem.

Em primeiro plano, é válido destacar que a má influência midiática caracteriza-se como um composto agravante. Para Pierre Bourdieu, o que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Contudo, contrariando o sociólogo, a mídia brasileira adota uma postura opressora, visto que ela não divulga a importância nem as vantagens da população usar o transporte público.

Vale ressaltar, também, que a ausência de incentivos governamentais para ciclovias e BRT, sistema de ônibus de trânsito rápido que tem como objetivo melhorar o fluxo de passageiros, contribui para a persistência da problemática. Segundo o IBOPE, 83% dos questionados utilizariam um meio de transporte coletivo em vez do seu automóvel particular, caso esse estivesse conforme suas expectações. Nessa perspectiva, se mostra evidente que, por conta da carência de investimentos em ciclovias e BRT, os brasileiros das grandes cidades acabam saindo prejudicados, sendo obrigados a passarem horas no trânsito, o que não aconteceria se a maioria dos cidadãos usassem conduções coletivas ou bicicletas para chegarem no seu destino.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de reverter o cenário atual. Para isso, compete ao Ministério da Infraestrutura direcionar mais verbas para a construção de ciclovias, corredores de ônibus e adquirir mais BRT. Essas ações devem ser feitas por meio de parcerias com os principais veículos de comunicação, uma vez que estes iriam divulgar e mostrar as vantagens desses transportes, com o objetivo de convencer o maior número de pessoas a abandonarem seus veículos particulares. Dessa forma, o Estado poderá, finalmente, proteger os seus filhos, assim como propôs Hegel.