A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 01/09/2021
Foi durante a República Populista que Juscelino Kubitschek, conhecido pelo seu lema “50 anos em 5”, promoveu a construção e melhoria de rodovias no território nacional, sendo essa uma forma de incentivar a instalação de grandes empresas automobilísticas estrangeiras no Brasil. Entretanto, o desenvolvimentismo de JK resultou em um processo desordenado de urbanização no país, o qual é responsável pela atual crise na mobilidade urbana brasileira que, devido a consolidação de uma cultura consumista após o fenômeno da globalização, está progressivamente crescendo, colocando a qualidade de vida da população em risco.
Sob esse viés, convém investigar a relação entre o rápido acontecimento do êxodo rural e a superlotação dos centros urbanos. Nesse sentido, como apontado pelo psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg, o homem trata os espaços públicos como lugares a serem ocupados por quem chegou primeiro. Sendo assim, a euforia gerada pela grande oferta de empregos dentro das fábricas sucedeu em uma rápida ocupação das cidades por aqueles que buscavam uma vida melhor, originando, assim, uma macrocefalia urbana, fenômeno em que a população é maior que a estrutura oferecida, o que gera diversos problemas como o congestionamento, a segregação e a falta de moradia.
Ademais, o aumento do volume do tráfego é um reflexo do consumismo, uma vez que os veículos tornaram-se um símbolo de ascensão social. Dessa maneira, é relevante mencionar o sociólogo Zygmunt Bauman, o qual aponta que o homem contemporâneo associa o ato de adquirir bens como essencial para sua existência. Nessa perspectiva, esse pensamento se manifesta no estabelecimento de uma cultura em que o carro é uma forma de distinção social dentro de uma sociedade hierarquizada, resultando em uma baixa eficiência do uso do espaço urbano. Diante disso, tal ineficiência é comprovada por pesquisas realizadas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em que foram estimados mais de seis milhões de automóveis na capital São Paulo.
Infere-se, portanto, é necessária intervenção imediata na crise da mobilidade urbana no Brasil. Logo, para reverter a crise em questão, cabe ao Ministério da Infraestrutura, aliado dos Poderes Executivo e Legislativo, desestimular, mediante a cobrança de pedágios dentro das cidades e o aumento das taxas de estacionamento, o uso de veículos individuais, diminuindo os excessivos índices de congestionamento. Dessa forma, somente assim será possível assegurar que o uso do transporte coletivo e dos modais não motorizados seja priorizado, garantido o aproveitamento de todos os investimentos nas rodovias realizados durante o mandato do presidente Juscelino Kubitschek.