A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 29/08/2021

Durante a década de 1950, o governo JK implementou um plano de governo conhecido como Desenvolvimentismo, o qual consistia em atrair grandes montadoras para o país e investir na construção de rodovias. Nesse sentido, o Estado brasileiro tem, desde então, estimulado o rodoviarismo em detrimento de outros modais de transporte, condição que associada à falta de planejamento urbano resulta em uma crescente crise de mobilidade no tecido urbano nacional. Assim, pode-se dizer que essa problemática é agravada pela estrutura urbana das cidades e por uma ineficiente rede de transportes públicos.

Em primeira análise, é importante entender que os problemas de mobilidade urbana no país têm íntima relação com a forma que as cidades brasileiras se organizaram. Historicamente, a urbanização brasileira ocorreu de maneira rápida e desordenada, resultando em grandes cidades que não se desenvolveram de maneira homogênea. Ou seja, as regiões centrais passaram a concentrar serviços e oportunidades enquanto que a população mais pobre passou a morar mais distante do centro, em regiões onde o custo de vida era inferior. Em decorrência disso, essas pessoas precisam todos os dias se deslocar das periferias para o centro para trabalhar, em um movimento migratório chamado de ‘migração pendular’, o que ocasiona grande tráfego nos horários de pico e se torna um entrave para uma melhor mobilidade no tecido urbano.

Além disso, a falta de uma rede de transporte público eficiente agrava ainda mais os problemas de mobilidade. Sob essa lógica, a baixa qualidade desse serviço associada ao seu alto custo faz com que aqueles que podem optem por usar carros particulares, agravando ainda mais o trânsito nas grandes cidades. Desta forma, trajetos de curtas distâncias são percorridos em um longo período de tempo resultando em uma perda de qualidade de vida dos cidadãos, que perdem grande parte do dia no trânsito, além de serem expostos por longos períodos a poluentes liberados pelos automóveis a combustão.

Portanto, evidencia-se a necessidade de mudanças em busca de mitigar essa persistente problema urbano. Para isso, as Secretarias de Transporte e Mobilidade Urbana devem ampliar as faixas exclusivas de ônibus e também as linhas ofertadas. Essa medida deve ser executada por meio da ampliação de horário das faixas já existentes, além da criação de novas em ruas e avenidas que não a possuem. Para ser posta em prática, deve ser feito um estudo urbanístico para que melhore a oferta dos serviços nas regiões mais precárias com a finalidade de tornar a cidade mais acessível àqueles que vivem distante dos centros.