A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 30/08/2021
No final do século XX, a partir da promulgação da Constituição de 1988, as políticas de desenvolvimento das redes de transportes públicos e da garantia do pleno desenvolvimento das funções sociais dos cidadãos já eram visadas. Entretanto, hodiernamente, mesmo sendo um direito fundamental, a sociedade brasileira ainda enfrenta os diversos empecilhos presentes na rede de locomobilidade e convive com seu problema mais grave: a crise crescente na mobilidade urbana. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só em razão da falta de políticas públicas para o desenvolvimento do serviço de transporte, mas também pela supervalorização do sistema rodoviário.
Deve-se pontuar, de início, a carência de ações e de medidas públicas para o aprimoramento dos transportes coletivos. Então, conforme o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, precursor da modernidade líquida, as intituições governamentais- configuradas como zumbis- perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-la a todo custo. Nesse aspecto, definido como zumbis por Bauman, as medidas e as políticas estatais acabam por falhar no âmbito infraestrutural urbano, uma vez que os espaços públicos- cada vez mais cáoticos- são acometidos pelo inchaço populacional e a precaridade dos serviços coletivos dão espaço para o aumento substancial dos automóveis individuais.
Ressalta-se, ademais, a histórica superestimação do rodoviarismo e sua influência na mobilidade urbana brasileira. Durante o governo de Juscelino Kubistchek, marcado pelo plano de ação “Cinquenta anos em 5”, o estímulo à industrialização no setor automobilístico, conjuntamente ao desenvolvimento das rodovias, impulsionou o aumento das concentrações de carros nas ruas e, politicamente, registrou o rodoviarismo nas diretrizes da rede de transporte do país. Dessa forma, legado do ex-presidente do Brasil, apesar da extensa área geográfica, a nação verde e amarela ainda tem o sistema rodoviário como a principal rede locomotiva, por conseguinte, carece de alternativas que garanta o pleno deslocamento populacional nas ruas das cidades.
Evidencia-se, portanto, a persistência de obstáculos estruturais no decorrer da locomobilidade urbana no Brasil. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Infraestutura- órgão de maior autoria e influência- ampliar as áreas atendidas pelos modais públicos coletivos, por meio de investimentos e de aprimoramentos nos polos de serviços de transporte, com o objeto de amenizar os empecilhos presentes nos trânsitos dos espaços urbanos. Além disso, deve promover uma integração de diferentes meios de transportes, por intermédio da criação de corredores logísticos, com o intuito de diversificar e de disponibilizar uma rede qualificada para as grandes demandas de pessoas. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a completude da efetização dos elementos elencados na Carta Magna.