A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 25/08/2021
Embora seja uma garantia constitucional oferecer aos brasileiros boas condições de transporte, essa realidade ainda é muito distante, visto que o Brasil enfrenta uma crise quanto à mobilidade urbana, seja pela falta de investimento em novos modais, seja pela infraestrutura que é oferecida aos cidadãos. Não obstante, é necessário dizer que esse cenário deve ser revertido, posto que suas implicações quanto a questões ambientais e econômicas são extremamente prejudiciais ao país.
A príncipio, cabe dizer que a negligência estatal a respeito do transporte público surte, indiretamente, problemáticos efeitos quanto à poluição. Sob essa ótica, faz-se conveniente mencionar que, segundo dados divulgados pelo IBOPE, 83% dos entrevistados fariam o uso de outro modal de transporte, caso fossem de melhores qualidades. Nessa lógica, infere-se que uma mesma quantidade de pessoas que poderia ser transportada por veículos como os ônibus, em virtude da má qualidade deste, optam por se deslocar em automóveis individuais. Nesse sentido, à medida que o número de carros aumentam, a emissão de poluentes também se torna maior, elevando, por conseguinte, os impactos ambientais.
Ademais, é importante colocar que o o trasnporte rodoviário é o principal meio de se escoar os produtos no Brasil. Nessa perspectiva, vale ressaltar que se houver um grande número de veículos circulando nas rodovias brasileiras cria-se um cenário propício à paralisação do trânsito, que pode refletir em atrasos na entrega dos produtos e na desmotivação dos trabalhadores em ter de enfrentar o congestionamento diário. Dessa forma, têm-se duas problemáticas: primeiramente, a questão do prazo é fundamental para se manter boas relações comerciais, tendo em vista que há uma questão de compromisso por parte dos envolvidos, ou seja, rompê-lo é o viés para a descredibilidade dessas relações; em segundo lugar, como foi provado na greve dos caminhoneiros de 2018, em que mercados, restaurantes e postos ficaram praticamente desabastecidos na ausência deles, desestimular esses trabalhadores é um verdadeiro revés para a economia brasileira.
Dessa maneira, torna-se evidente que a crise na mobilidade urbana é capaz de oferecer sérios riscos ao Brasil, tendo em vista que ocasiona efeitos negativos tanto no meio ambiente, quanto economia. Dessa forma, faz-se mister que a Comissão Mista de Orçamento, por meio de um direcionamento prioritário de verbas ao setor de transporte, ofereça condições financeiras para que as prefeituras municipais possam promover melhores as condições nesse âmbito. Para tal, estas entidades devem investir em criar novas ciclovias e melhorar a infraestrutura de veículos coletivos, com o fito de que, finalmente, os brasileiros tenham confiança em usar novos modais de transporte, aliviando os danosos reflexos resultantes da negligência que pode ser observada quanto a esse assunto.