A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 03/03/2021

O documentário “130 km - Vida ao extremo”, de 2014, retrata o cotidiano de três trabalhadores e suas respectivas jornadas em meio ao trânsito intenso de São Paulo. Fora das telas, no entanto, essa situação também se faz presente na realidade no que concerne à crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Visto que, a infraestrutura deficitária dos transportes das cidades e a inflexibilidade das jornadas de trabalho são umas das principais causas que corroboram este impasse.

Em primeiro plano, cabe ressaltar a precarização no que tange aos sistemas de transporte público urbanos e suas consequências, a exemplo, maiores quantidades de carros particulares em utilização. Segundo o Observatório das Metrópoles, em dez anos a frota de carros duplicou nas cidades brasileiras, ao passo em que apenas 0,01% dos investimentos federais na área de transporte coletivo foram repassados, de acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Desta forma, faz-se notável a preferência, entre as pessoas, do uso de carros próprios para atividades cotidianas, devido ao defasamento da estrutura dos modais públicos que deveriam funcionar de forma eficaz.

Outrossim, a inflexibilidade das jornadas de trabalho compactua com o aumento do fluxo de veículos em determinados horários. Nesse sentido, a cidade de Berlim, na Alemanha, possui a alternativa para malear as horas de trabalho, com início às 6 da manhã, até às 8h da noite. Isso, no fito de priorizar a dinâmica do trânsito nas avenidas e evitar consequências tanto de cunho social, quanto ambiental, como por exemplo, estresse à população, atrasos nos trabalhos, e ilhas de calor, respectivamente. Entretanto, em relação ao Brasil, no qual apenas o horário de tráfego ocupa boa parte das horas das pessoas, esta realidade vivida na Alemanha está longe de ser posta em prática, por efeito da falta de políticas públicas e privadas que incetivem e promulguem essa flexibilização.

Portanto, a fim de reverter essa crescente crise na mobilidade urbana brasileira, medidas precisam ser realizadas. Dessa maneira, os governos Federal, Estadual e Municipal devem fazer parceria com as empresas de transporte público e privado, no sentido de ampliar as linhas de ônibus e de metrô, por meio  da reformulação das vias de tráfego, com menos impacto ambiental, no intuito de dinamizar o trânsito. Além disso, as Associações Nacionais das Empresas de Tranportes Urbanos, por meio de requerimentos na Justiça, devem fazer a fiscalização de incetivos fiscais investidos na área, para que esse capital não fique estagnado, embora haja a necessidade de ser utilizado. Deste modo, a complicada realidade do trânsito, enfrentada por muitos trabalhadores como os do documentário, futuramente, poderá ser mais fluida e branda.