A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 16/01/2021
O “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma implicação no que diz respeito à crescente crise da mobilidade urbana. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores como uma carência de investimento e a mentalidade social brasileira, além de explorar condutas conscientes pelos setores do Estado.
A princípio, considerando que a insuficiência de investimento monetário e estrutural é uma premissa latente na situação, deve-se destacar a necessidade de um maior engajamento sociopolítico. De acordo com o Tesouro nacional, atualmente, o investimento em infraestrutura no Brasil é baixo e configura-se como o menor em 10 anos. Nesse sentido, entende-se que essa afirmação pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à contínua instabilidade no deslocamento urbano. Afinal, a ausência de melhorias frente à crescente população influi sobre a crise, funcionando como forte empecilho para a sua resolução.
Outrossim, outro fundamento para a configuração da temática é o intelecto societário brasileiro. Para Émile Durkheim, “O fato social é a maneira coletiva de pensar e agir”. Sob essa lógica, é possível perceber que o colapso no meio de movimentação urbana é fortemente influenciado pelo ato e pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social individualista, a tendência é adotar esse comportamento, o que torna sua solução ainda mais complexa. Logo, o controle da mobilidade urbana exige dedicação, não apenas dos órgãos estatais, mas também da população brasileira nas dinâmicas diárias.
Portanto, mais do que um tema pertinente, o progressivo desequilíbrio da mobilidade citadina no Brasil representa uma grande objeção. Para que essa problemática cesse, o Ministério da Infraestrutura, como setor governamental responsável pela administração do trânsito e transporte público brasileiro, deve promover a utilidade da regulação do tráfego público, da disposição adequada dos cenários de fluxo de pessoas, bem como de princípios integradores. Para tanto, por meio da capacitação de profissionais fiscalizadores e organizadores, da ampliação de áreas específicas e, sobretudo, da aplicação tecnológica efetiva, a fim de garantir, de fato, uma mobilidade mais fluida. A partir dessas ações, espera-se propiciar melhorias nas condições sociais no âmbito brasileiro de locomoção.