A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 15/01/2021

Anteriormente ao período da ditadura militar, o governo do então presidente Juscelino Kubitschek revolucionou a nação com o seu programa de intenso incentivo ao desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil. Hodiernamente, é evidente que tal mobilização contribuiu diretamente para a  ascensão da crise da mobilidade urbana, ao provocar um crescimento excessivo da aquisição de veículos particulares, perpetuada devido a legados históricos e socioculturais intrínsecos à sociedade.

A princípio, é fundamental atentar-se ao contexto histórico que engloba a problemática supracitada. Conforme Claude Lévi-Strauss, o adequado entendimento do coletivo ocorre por meio da interpretação de sua história. Nesse âmbito, destaca-se que o Brasil apresenta um secular atraso no que tange à mobilidade urbana, especialmente em comparação aos países desenvolvidos, devido à precarização dos transportes públicos e dos planos diretores municipais. Dessa forma, a falta de qualidade dos metrôs e demais meios de locomoção alternativos, aliada a alta demanda por locomoção aos centros urbanos, provoca uma crise de superlotação das vias públicas, sobrecarregadas pelo gigantesco número de carros e motos que fomentam a ocorrência de congestionamentos e pioram ainda mais a eficiência dos ônibus públicos.

Em segunda análise, é substancial salientar o panorama sociocultural presente no tema. Para Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nesse sentido, presume-se que indivíduos que são desenvolvidos em um cenário de popular priorização do transporte em veículos particulares, em virtude da péssima qualidade dos serviçõs de transporte público, tendem a contribuir para a perpetuação da crise discutida, o que dificulta sua resolução. Dessa forma, há um desinteresse por parte da sociedade em utilizar os sistemas de metrô e trens, em virtude da priorização do conforto.

É evidente, portanto, que tais entraves devem ser solucionados. Para isso, faz-se indispensável que o Ministério da Infraestrutura solicite um aumento das verbas federais destinadas ao tema abordado, a fim de promover o aumento da frota de ônibus e metrôs por todo o Brasil e realizar obras em ruas e avenidas a partir de estudos dos órgãos estaduais de trânsito, buscando melhorar o planejamento das cidades e os fluxos de mobilidade para garantir maior facilidade de locomoção para os cidadãos. Aliado a isso, é necessário que o Ministério das Comunicações crie campanhas publicitárias que objetivem incentivar o uso do transporte público e demais meios de locomoção alternativos, como bicicletas e outros, a fim de diminuir a frota de automóveis particulares presente nas ruas, articulando assim a construção de um país mais eficiente no setor dos transportes.