A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/01/2021
Nas cidades, a mobilidade – ou a falta dela – permeia o dia-a-dia de milhões de brasileiros. Os deslocamentos diários demorados e a má qualidade do transporte público são crises crônicas com sérias consequências a sociedade, descontentamento demonstrado nas manifestações de junho de 2013. A problemática tem várias origens e causas, dentre elas destacam-se o uso do solo urbano (por exemplo arranjo das atividades e zonas residenciais) e o crescimento exponencial da frota de veículos particulares. Como resultado, perde-se qualidade de vida, produtividade e agravam-se as diferenças entre periferia e os hipercentros.
Em primeira ordem, o uso do solo urbano, mesmo em cidades planejadas, é frequentemente um empecilho para uma mobilidade urbana eficiente e justa. Uma vez que grande parte das atividades concentra-se no hipercentro, fomenta-se uma sobrecarga de vias essenciais da cidade. Complementar a isso, com o crescimento periférico das cidades e os movimentos pendulares casa-trabalho, as viagens tendem a ser mais longas e custosas, justamente para os habitantes de menos renda e condições de arcar com veículos, combustível ou tarifas de ônibus.
Ademais, a supervalorização dos automóveis junto à má qualidade do transporte público são peças chave para a crise de mobilidade brasileira. Com a associação de progresso e prestígio aos automóveis, criou-se uma imagem de necessidade de carros e motos. Junto a isso, tem-se a má qualidade e preconceito do transporte público ofertado. Tais fatos corroboraram com um crescimento exponencial da frota de veículos particulares em poucos anos, muito além da capacidade de infraestrutura e planejamento urbanos.
Dessa forma, faz-se necessário resolver tanto o problema de urbanização e uso do solo quanto do desequilíbrio de frotas de automóveis, a fim de prover uma mobilidade digna aos brasileiros e brasileiras. No primeiro eixo, alterar leis de zoneamento e expansão urbanas pode contribuir para menores distâncias, tempo e custos de transporte. No tocante à frota automotiva, são exemplos de medidas: políticas municipais focadas nas pessoas e não nos carros ou motos, inibir o uso excessivo de automóveis e priorizar investimentos para meios não motorizados e o transporte público de média e grande capacidade.