A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/01/2021
O Realismo, movimento literário brasileiro, surgido no século XIX, propôs a investigação do comportamento humano e denunciou problemas sociais. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que a crise na mobilidade urbana persiste atrelada à realidade do país, seja pela supervalorização do carro próprio, seja por transportes públicos ineficientes. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito de modo a assegurar o descongestionamento das ruas e o bem-estar da população.
A princípio, vale destacar que desde a popularização do sistema de produção fordista, ainda na primeira metade do século XX, o carro se tornou um bem quisto pela população, que, com o tempo, passou a enxerga-lo como símbolo de poder. Contudo, com o avanço da modernização e da evolução na indústria automobilística, diversos modelos foram apresentados no mercado, e ter “o carro do ano” passou a ser uma obrigação social. Porém, além das estradas e avenidas brasileiras não estarem preparadas para sustentar esta nova imposição da sociedade, haver um carro para menos de quatro habitantes, realidade do país segundo o IBGE, resulta em efeitos preocupantes para a saúde humana, visto que, além do sério risco de acidentes, a poluição liberada por tamanha frota nas ruas, causa, diversas doenças cardiorrespiratórias e até mesmo cânceres. Todavia, apesar dos evidentes efeitos da crise na mobilidade urbana, poucas são as soluções projetadas com o objetivo de frear este fenômeno.
Ademais, é imprescindível salientar que a carência de infraestrutura nos transportes públicos, a superlotação e a falta de manutenções regulares perdura como obstáculos para que mais pessoas possam usufruir de tal serviço, previsto na legislação. Além disso, a ausência de incentivos para a utilização de bicicletas em massa, como ocorre em países como a Dinamarca, corrobora, ainda mais, para que haja o caos nas ruas, uma vez que o transporte cicloviário, além dos benefícios para a saúde, desengarrafaria o fluxo, e consequentemente, aceleraria a mobilidade. Tal problemática, apesar de ser atual, pode ser ratificada pelo texto, de 1964, “A Autoestrada do Sul”, escrita pelo argentino Júlio Cortázar, em que retrata a realidade do trânsito caótico como a vivenciada pelos brasileiros.
Dado o exposto, cabe ao Governo Federal, promover, por meio de incentivos fiscais para aqueles dispostos a deixarem o carro na garagem, uma conscientização coletiva a respeito da gravidade da crise exposta. Além do mais, cabe aos governos municipais, realizarem parcerias com o setor privado com o intuito de promover a manutenção periódica dos transportes públicos, para que sirva de incentivo para a utilização destes. Ainda, é necessário que criem ciclovias e sinalizem elas, de forma a garantir a segurança e a mudança do lastimável cenário atual.