A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/01/2021

No governo de Juscelino Kubitschek, houve massivo investimento e valorização da indústria rodoviária. A partir desse período histórico, tal meio de locomoção tornou-se predominante no país, e seu excesso nas ruas causa engarrafanentos, superlotação e dificuldade de movimentação nas cidades. Nesse contexto, destaca-se a crise na mobilidade urbana brasileira, ocorrida em decorrência da precarização estatal dos transportes públicos e da exacerbada idealização do carro.

Em primeiro plano, vale ressaltar a negligência governamental no âmbito da mobilidade, uma vez que há falta de investimentos e melhorias na precária infraestrutura dos transportes comunitários. Essa conjuntura vai de encontro com a Constituição Federal de 1988, a qual garante o direito de ir e vir a todos, fornecido pelos órgaos públicos. Nesse viés, o governo age como uma “Instituição Zumbi” - conceito do filósofo Zygmunt Bauman - ao demonstrar ociosidade e inutilidade perante sua função. Dessa forma, a crise no deslocamento urbano é intensificada por tal cenário inadmissível, pois influencia o aumento de carros nas ruas.

Além disso, cabe expor a exaltação e supervalorização do carro, já que milhões de brasileiros sonham em adquirir um. Nesse sentido, na obra “Sociedade do Espetáculo”, Gry Debord apresenta a teoria de que todos os indivíduos vivem em performance constante e buscam sempre aparentar perfeição. Tal ideia condiz com a conjuntura em questão, porque, interessados no status e aprovação social, os cidadãos endividam-se e esforçam-se ao máximo para possuir um automóvel. Desse modo, a crise na mobilidade urbana é incessantemente agravada em razão dessa inaceitável cultura.

Evidencia-se, portanto, o problema da dificuldade de movimentação nas cidades, que cresce com a ineficiência governamental e a idealização do carro. Logo, a fim de amenizar essa crise, urge que o Estado - instituição responsável pela organização social - promova melhorias nos transportes públicos e conscientização a respeito do benefício de automóveis alternativos. Isso deve ser feito por meio do investimento na restauração e ampliação de metrôs, trens e ônibus, em conjunto com aulas e palestras sobre o tema. Dessa maneira, é possível mitigar tal questão nociva oriunda da política do ex-presidente Juscelino Kubitschek.