A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 12/01/2021

O “contrato social”, obra do filósofo Jean-Jacques Rousseau, afirma entre uma série de princípios que é dever do Estado garantir o bem-estar e os direitos dos cidadãos. O transporte, sendo uma garantia estabelecida pela Constituição Federal, está submetido à falha do contrato, pois infelizmente, no cenário hodierno, a mobilidade urbana apresenta crises e afeta o funcionamento da sociedade. Por isso, é preciso questionar a eficiência do transporte público bem como a “carrocracia” como foco dos centros urbanos.

Em primeiro plano, o transporte coletivo é precário, pois possui infraestrutura baixa, excessivas aglomerações e o preço da passagem vai além do justo pelo serviço. Essa problemática faz com que os individuos busquem pela a compra de carros particulares, dessa forma a quantidade de veículos por pessoa aumenta, gerando trânsitos, acidentes e consequentemente atrasos, danos ambientais -maior emissão de gases carbonicos- e inclusive economicamente. Logo, faz-se necessário a qualificação na mobilidade pública, haja vista que essa é responsável no desenvolvimento social.

Ademais, as cidades são construídas de um modo que favorece a “carrocracia”, ou seja, projetadas para carros. Assim, as vias não são feitas para outras formas de transporte, dificultando o acesso e acarretando na falta de  estrutura para esses meios alternativos. De acordo com o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa, avenidas são melhores que autopistas, pois contemplam edifícios, ciclovias, calçadas, vias e estradas. Por conseguinte, o investimento nesses é essencial para ambas melhorias.

Nessa perspectiva, portanto, são necessárias medidas para combater a crise na mobilidade urbana. Cabe à Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento regional e urbano, aumentar a frota de ônibus e trêns, por meio de verbas governamentais, fabricar maiores e melhores carros para uso diário da população. Como também, políticas públicas e Ongs parceiras na elaboração de projetos que incluam bicicletas, calçadas e maiores espaços de livre acesso para diversificação. Dessa maneira, espera-se haja melhora e que o transporte seja digno para todos respeitando o Contrato Social.