A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 10/01/2021

No século XX, durante o governo de Juscelino Kubtschek, houve no Brasil incentivo à compra de automóveis e, consequente popularização de tais. Passados os anos, com o aumento da frota de veículos, o brasileiro passou a enfrentar problemas quanto ao deslocamento nas cidades, passando cada vez mais tempo no trânsito. Tal problemática persiste pela ineficiência do transporte público e pode levar a consequências, como o aumento da poluição.

Em primeira análise, é importante destacar que a ineficiência estatal no que tange o transporte público corrobora o problema. Conforme o filósofo iluminista Rosseau, em sua obra “Contrato social”, cabe ao Estado viabilizar o bem-estar social. Nesse sentido, o Governo falha em seu papel, uma vez que falha em atender as necessidades da população, que acaba por recorrer a veículos privados. Desse modo, o descaso estatal acaba por contribuir com a congestão das vias públicas pelos carros e motocicletas, o  que, por consequência, dificulta a concretização do direito de ir e vir, garantido na Constitução de 1988.

Ademais, é imperioso destacar que a problemática, no que concerne o aumento da frota de veículos, gera prejuízos ao meio ambiente. De acordo com o filósofo Hans Jonas,  à medida em que a técnica evoluiu, a humanidade se tornou responsável por toda a biosfera. Sob esse prisma, nota-se que a sociedade brasileira rompe com esse conceito, uma vez que o grande número de veículos aumenta o nível de emissão de gases poluentes, como o CO2. Dessa forma, essa postura é prejudicial, uma vez que propicia o aumento de gases responsáveis pelo agravo do efeito estufa, o que, a longo prazo, leva a efeitos negativos para toda a fauna e flora.

Portanto, é preciso que providências sejam tomadas para atenuar os efeitos da crise existente nesse setor. Assim, faz-se necessário que o Executivo, por meio de redirecionamento de verbas às prefeituras, aumente a frota de veículos do setor público e sua qualidade, a fim de que a população não precise recorrer a um automóvel próprio. Além disso, a Mídia deve, por meio de propagandas educativas, incentivar o corpo social a usar os ônibus, metrôs, biciletas e veículos que utilizem combustíveis menos poluentes, com a finalidade de elucidar sobre as melhorias que essas medidas podem causar. Por esses caminhos, tornar-se-á possível que esses impasses sejam superados e que os brasileiros tenham melhores condições de tráfego.