A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 04/01/2021

Na segunda metade do século XX, o Brasil teve processos de industrialização e urbanização típicos de país emergente: tardio e sem planejamento. Embora, no Brasil, haja diversas formas de meios de mobilidade, muitas delas foram mal planejadas e têm várias deficiências, assim trazem mais dificuldade para o desenvolvimento da sociedade. Nesse sentido, rever a situação social e cultural das pessoas que necessitam de uma melhor mobilidade urbana é fundamental para avaliar seus efeitos na contemporaneidade.

Em primeiro lugar, é válido destacar o descaso do Estado brasileiro em relação a planejamento e investimentos na área de mobilidade. Segundo pesquisa da empresa BBC, o transporte rodoviário é responsável por quase 60% de tudo que é transportado no Brasil. Nessa lógica, o transporte ferroviário, que em muitos países como China e Estados Unidos ajudam na diminuição de congestionamentos nas maiores cidades, não é prioridade no Brasil. Esse fato se perpetua desde o governo JK, no qual se decidiu que o desenvolvimento do país seria baseado em estradas. Dessa maneira, há uma grande dificuldade de investimentos grandes em outros setores por conta do interesse de grandes empresas automobilísticas em manter seu grande lucro no Brasil. Dessa forma, os veículos coletivos de estradas, como o ónibus, são insuficientes para transportar a grande quantidade de pessoas que dependem do transporte público diariamente.

Ademais, é importante frisar, também, os impactos desses descasos na vida urbana. Segundo a pesquisa da revista Traffic Idex, 3 das 10 cidades mais congestionadas do mundo são brasileiras. Sob essa ótica, os veículos individuais são os principais vilões desses números, porque, além de muitas estradas serem pouco dinâmicas, há uma grande aglomeração em horários de pico que liberam excessos de gases tóxicos como CO2 e CO. Desse modo, o dinamismo da cidade torna-se lento e totalmente prejudicial para quem perde horas em trajetos curtos e assim aumenta casos de atos violentos no trânsito e de doenças como depressão e estresse e câncer por causa dos gases liberados.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Estado deva investir em melhorias do trânsito brasileiro, por meio de licitações com empresas privadas, e comece a ampliar e diversificar os meios de mobilidade urbana do Brasil, principalmente aumentando a frota ferroviária e o aeroviária que são exemplos de sucesso em vários países, a fim de que haja uma diminuição dos congestionamentos, no preço das passagens e um melhor fluxo de mobilidade no país. Assim, haverá um decréscimo na superlotação sobre o meio rodoviário e também na emissão de poluentes por conta de mais transportes coletivos disponíveis para a população.