A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/12/2020
O homem sempre procurou facilidades para se locomover, como na pré-história, mais especificamente no período Neolítico, quando foi desenvolvida as técnicas de domesticação de animais, que facilitou a caça e a agricultura. Milhares de anos depois, como consequência da Revolução Industrial e o êxodo rural, grandes cidades cresceram de forma desenfreada, surgindo problemas de mobilidade urbana, como o que ocorre nas metrópoles brasileiras atualmente. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: o Estado omisso e o consumismo.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que no Brasil, o êxodo de pessoas para os centros urbanos, na fuga dos períodos de secas ou simplesmente por melhores oportunidades de trabalho, resultou em um aumento significativo de problemas urbanos. Desse modo, com a ausência de planejamento do Estado no decorrer desse crescimento desenfreado, os problemas relacionados com a mobilidade são, atualmente, muito perceptíveis. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o governo não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, o que infelizmente é o que acontece no país.
Ademais, é fundamental apontar o consumismo como agravador, no qual, muitas vezes, a compra de um carro é visto como imprescindível para as pessoas. Essa valorização do automóvel, é causado tanto pela precariedade do transporte público como também pela falta de espaços para ciclistas nas ruas das grandes cidades. Assim, a frase do filósofo Immanuel Kant :“o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, expõe que além de um governo que valorize o planejamento dos espaços físicos, é importante, através da educação, incentivar a população sobre os benefícios da utilização do transporte alternativo, tanto para a saúde do indivíduo como para a diminuição do fluxo de veículos.
Enfim, diante dos argumentos supracitados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Dessa forma, os governos municipais devem mitigar os problemas urbanos, por meio de investimentos em transportes públicos de qualidade e com preços acessíveis, como também no planejamento das ruas, valorizando os espaços para ciclistas e pedestres, por meio de construção de ciclovias e de passarelas, a fim de melhorarem a mobilidade urbana. Paralelamente, é imperativo que o governo federal, por meio das redes sociais, invista em campanhas sobre a importância do transporte alternativo, com a finalidade de incentivar a sustentabilidade. Dessa maneira, se consolidará uma sociedade onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.