A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 14/12/2020

Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por fazer ácidas críticas aos problemas que o assolavam no século XVII. Talvez, hoje, ao se deparar com a crescente crise na mobilidade urbana, o autor expressaria sua polêmica opinião. Dessa forma, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da insuficiência legislativa e da desorganização urbana.

Convém ressaltar, a princípio, que a insuficiência legislativa é um fator determinante para o impasse. De acordo com o filósofo John Locke: “As leis fizeram-se para os homens, não para as leis”. No entanto, as normas que tratam à respeito da mobilidade urbana não são aplicadas de fato, uma vez que problema apenas cresce, conforme dados do veículo jornalístico “O Globo”. Desse modo, o bem-estar do cidadão, que deveria ser garantido pelo ordenamento jurídico, torna-se uma realidade cada vez mais utópica.

Ademais, o problema encontra terra fértil na desorganização urbana. Ao decorrer do século XX, os centros urbanos brasileiros se estruturaram de maneira acelerada, o que fez com que as ruas e veículos de transporte não suportassem o inchaço populacional das grandes cidades. Tal problema histórico é agravado no contexto atual, uma vez que o fluxo de pesssoas e automóveis se intensificou e  a criação de obras para melhorar essa situação, como ciclovias e passarelas, não foi suficiente. Assim sendo, a infraestrutura precária agrava a situação.

Logo, medidas são necessárias com o objetivo de erradicar o problema. Nesse contexto, é necessário que os representantes políticos da esfera municipal e líderes de bairro mobilizem a população a elaborar cartas de denúncia e abaixo-assinados, exigindo a real aplicação da legislação brasileira. Tais documentos devem ser enviados ao site da Ouvidoria da Controladoria-Geral da União, a fim de que a problemática da crescente crise na mobilidade urbana seja de conhecimento público e possa ser solucionado. Assim sendo, a população canarinha atuará ativamente na construção de um país melhor.