A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 03/12/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema judiciário brasileiro - a República tem como de seus objetivos fundamentais promover o bem de todos, no qual inclui-se o direito de ir e vir. Entretanto, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira mostra que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Isso ocorre, ora pelo grande número de automóveis nas rodovias, ora pelo individualismo da sociedade. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que possam ser liquidá-los de maneira eficaz.
Em primeiro plano, é imperativo destacar que um dos fatores que impossibilitam a problemática em questão é o número excessivo de automóveis nas rodovias. Desse maneira, o Fordismo, idealizado por Henry Ford, foi o modo de produção cuja uma das características mais marcantes foram suas linhas de montagens semi autorizadas, o que inovou a fabricação dos automóveis. Logo, percebe-se que com o modelo de produção fordista os carros passaram a ser produzidos em larga escala e em um intervalo mínimo de tempo. No entanto, tais ações não foram totalmente benéficas para a população, uma vez que devido ao enorme número de automóveis nas estradas, acontece o congestionamento dos veículos e maior risco de acidentes. Assim, entende-se essa questão como um entrave na sociedade.
Ademais, é necessário avaliar como o individualismo da sociedade têm impactado de maneira negativa a mobilidade urbana. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade. Esse panorama se evidencia, por exemplo, quando se observa que os indivíduos relacionam a obtenção do automóvel ao prestígio social, assim como tendem a ter preferência pelo uso do carro até para percorrerem curtas distâncias. Nesse sentido, um caminho para controlar e amenizar a locomobilidade é que os indivíduos possam adotar novos hábitos, e posteriormente desconstruir o principal problema da pós-modernidade, segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.
Entende-se, portanto, a necessidade de impor medidas para combater a crise da mobilidade urbana brasileira. Desse modo, cabe ao Governo Federal, investir em mais transportes de massa com preços acessíveis e de qualidade, por meio de verbas específicas, para que a população possam optar por usarem os meios de transporte público, e com isso possa haver mais harmonia no transito e menos lentidão. Além disso, também deve investir parte dessa verba na construção de ciclovias para incentivar o uso de meios alternativos de transporte, e assim os indivíduos possam se mover quando necessário. Feito isso, será possível garantir o direito de ir e vir, como proposto pela Constituição.