A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 02/12/2020
Desde os incentivos à expansão da política rodoviarista de Juscelino Kubitschek, o Brasil passou a valorizar de maneira exagerada a posse do carro particular, criando, na contemporaneidade, um excesso de veículos nas ruas, o que dificulta a locomoção das pessoas nas cidades. Tal dificuldade é acentuada pela má qualidade do transporte público, que incentiva os indivíduos a adquirirem carros contribuindo, assim, com o aumento da poluição e dos congestionamentos gerados por esses veículos. Desse modo, é necessário conter a crescente crise na mobilidade urbana brasileira.
De início, é válido ressaltar que a precariedade do transporte coletivo e a falta de estrutura para meios de transporte alternativos no país estimulam o cidadão a adquirir um carro. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Clima e Sociedade, dos 3 mil entrevistados, 51% pretendem comprar um veículo nos próximos anos, além disso, a pesquisa aponta que o principal motivo para os outros 49% não pretenderem adquirir um carro é falta de dinheiro. Tais dados são preocupantes, pois o excesso de automóveis é sinônimo de mais poluição, mais engarrafamentos e trás resultados negativos para a sociedade.
Assim, como consequência de um espaço urbano com excesso de veículos, os cidadãos acabam passando mais tempo do que deveriam no trânsito. De acordo com o jornal O Globo, os paulistanos, por exemplo, passam cerca de 45 dias por ano presos no trânsito. Esse infortúnio se tornou comum no cotidiano brasileiro, diminuindo a qualidade e a segurança das estradas, além de promover o aumento da poluição sonora e atmosférica da cidade. Também, os congestionamentos geram grandes perdas econômicas, uma vez que o tempo e a energia, que os indivíduos poderiam estar gastando em atividades que geram renda e movimentação financeira, são gastos em horas no trânsito. Logo, é imprescindível diminuir os engarrafamentos no país.
Portanto, é profícuo aperfeiçoar a locomobilidade urbana no Brasil. Para isso, é necessário que o poder executivo dos estados, em parceria com o poder legislativo, encaminhe recursos para, além de ampliar a rede pública de transportes, adotar as ciclovias e o rodízio veicular nas cidades do país com o objetivo de descongestionar o trânsito e, consequentemente, diminuir a poluição no ambiente urbano. Também, o Ministério do Meio Ambiente, com o auxílio da mídia, deve criar uma campanha que promova, a partir de um documentário, o uso de transportes coletivos e alternativos, como ônibus e bicicletas, pela população. Essa obra deve estar disponível em ambiente virtual, como o Youtube, visando alcançar o maior público. Desse modo, será possível melhorar a mobilidade urbana no Brasil.